Transição no Ministério do Meio Ambiente: Capobianco assume após saída de Marina Silva
Com a saída de Marina Silva do comando do Ministério do Meio Ambiente para disputar as eleições deste ano, quem assume a pasta é João Paulo Capobianco, o secretário-executivo durante a gestão de Marina. A mudança ocorre em um momento crucial para a política ambiental brasileira, marcada por desafios persistentes e avanços recentes.
Contexto e histórico da gestão
O Ministério do Meio Ambiente iniciou o governo em 2023 com índices alarmantes de desmatamento. Ao longo dos últimos anos, estruturou estratégias para enfrentar o problema, buscando adesão de estados e municípios e o fortalecimento de ações de fiscalização e preservação. Nos últimos anos, Capobianco esteve ao lado de Marina Silva nas apresentações de dados e estratégias para combate ao desmatamento, além de atuar em outras frentes do ministério, como a preparação para a COP30, o enfrentamento aos incêndios e as políticas de combate às mudanças climáticas.
Além disso, acompanhou a elaboração do Plano Clima, uma das principais entregas da gestão, que deve orientar ações em diversos setores da economia nos próximos anos rumo a uma política de menos emissões e mais descarbonização. Novo chefe da área ambiental do governo Lula, Capobianco ajudou Marina Silva a reestruturar o ministério no começo do governo, redesenhando a organização da pasta em cinco secretarias:
- Biodiversidade e Florestas
- Mudança do Clima e Qualidade Ambiental
- Recursos Hídricos e Ambiente Urbano
- Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável
- Articulação Institucional e Cidadania Ambiental
Trajetória e experiência de Capobianco
Capobianco é um nome reconhecido na ciência ambiental e um antigo aliado de Marina Silva. Entre 2003 e 2008, ocupou cargos no Ministério do Meio Ambiente quando Marina Silva era ministra, incluindo o de secretário-executivo. Quando Marina deixou o governo Lula em 2008, Capobianco chegou a comandar o ministério. Naquele momento, ao sair, afirmou que o Ministério do Meio Ambiente não era considerado uma pasta "de primeira classe" ou "estratégica" pelo governo, e sim, um mero "licenciador ambiental".
Em 2010, Capobianco foi um dos coordenadores da campanha de Marina Silva que ficou na terceira colocação nas eleições presidenciais. João Paulo Ribeiro Capobianco é biólogo e um dos principais nomes da política ambiental no país. Foi secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, tem doutorado em Ciência Ambiental pela USP, com foco na governança socioambiental na Amazônia, além de especialização em educação ambiental pela UnB e graduação em Ciências Biológicas.
Ao longo da carreira, atuou na formulação de políticas públicas, combate ao desmatamento e conservação da biodiversidade, tendo ocupado cargos estratégicos no próprio ministério e em organizações ambientais. Capobianco também já dirigiu entidades como o SOS Mata Atlântica, o Instituto Socioambiental (ISA), a Rede de ONGs da Mata Atlântica e o fórum preparatório de ONGs e movimentos sociais da Rio-92.
Desafios imediatos da nova gestão
Seguindo a orientação de Lula, Capobianco passa a comandar o ministério dando continuidade às políticas ambientais em andamento. O novo ministro tem o desafio de manter e melhorar os indicadores de desmatamento e de preservação dos biomas, além de aumentar a regularização fundiária e controle dos incêndios. O Ministério do Meio Ambiente tem buscado ampliar parcerias com estados e municípios, inclusive com apoio financeiro e estruturação das secretarias ambientais locais. Mas a adesão ainda não é total.
Entre os municípios com maiores índices de desmatamento estão os que não aderiram às iniciativas do governo federal. Lista de Municípios que não aderiram ao Programa União com Municípios (UcM):
- Manaus (AM)
- Apiacás (MT)
- Colniza (MT)
- Confresa (MT)
- Guarantã do Norte (MT)
- Nova Maringá (MT)
- Paranaíta (MT)
- Paranatinga (MT)
- Ribeirão Cascalheira (MT)
- União do Sul (MT)
- Novo Repartimento (PA)
Autoridade climática e prioridades futuras
Em 2024, Lula anunciou a criação de uma “autoridade climática” para coordenar as ações do país no enfrentamento às mudanças climáticas, uma proposta defendida por Marina Silva desde antes das eleições e levada ao debate durante a formação da agenda ambiental do governo. Apesar do anúncio, a iniciativa perdeu força ao longo do mandato: o órgão não foi formalmente instituído, nem teve estrutura ou atribuições definidas até agora, ficando fora das principais entregas da política climática.
Na nova gestão a tendência é que esse debate siga em segundo plano. A prioridade deve ser consolidar os resultados já alcançados, como a queda nos índices de desmatamento e ampliar as ações que já estão em curso, em vez de abrir novas frentes. Com a experiência acumulada e o conhecimento profundo das questões ambientais, Capobianco assume um ministério que busca equilibrar preservação e desenvolvimento, em um cenário de expectativas elevadas e desafios complexos.



