UE acelera importações de gás russo e atinge recorde apesar da guerra
UE acelera importações de gás russo e atinge recorde

A União Europeia (UE) registrou um aumento recorde nas importações de gás natural liquefeito (GNL) russo no primeiro trimestre de 2026, contrariando as metas de redução da dependência energética de Moscou. Segundo um estudo do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA) divulgado nesta quarta-feira, 13, as compras de GNL russo cresceram 16% em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo 6,9 bilhões de metros cúbicos, o maior volume desde a invasão da Ucrânia em 2022.

França, Espanha e Bélgica lideram aumento

França, Espanha e Bélgica foram os principais impulsionadores desse crescimento. A França, em particular, importou mais GNL russo do que qualquer outro país europeu no primeiro trimestre, atingindo um recorde em janeiro de 2026. O relatório do IEEFA destaca que a tendência se manteve em abril, com um aumento de 17% nas importações europeias em relação ao ano anterior.

Dependência europeia em meio à crise energética

O documento ressalta que a dependência do continente europeu do gás russo persiste em meio à crise energética global, agravada pela guerra no Oriente Médio, que afetou o abastecimento mundial de hidrocarbonetos. Antes da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Rússia era responsável por 45% das importações de gás da UE. Desde então, o bloco europeu buscou diversificar suas fontes, ampliando as compras de GNL de outros países, como Estados Unidos e Noruega.

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Metas de eliminação gradual até 2027

No ano passado, a UE formalizou um acordo para eliminar gradualmente as importações de gás natural russo até o final de 2027. Pelo acordo, o fornecimento de GNL deve ser interrompido até dezembro de 2026, enquanto o gás transportado por gasodutos terá o corte definitivo programado para setembro de 2027. Apesar disso, a Rússia ainda é o segundo maior fornecedor de GNL para a UE.

Aumento das importações dos EUA

Ao mesmo tempo, a Europa aumentou as importações de GNL dos Estados Unidos, especialmente após o início da guerra contra o Irã. Segundo o IEEFA, o mercado americano está a caminho de se tornar o principal fornecedor de gás do continente em 2026. No primeiro trimestre, a Noruega liderou como principal fornecedor da UE, com 31% de participação, seguida pelos Estados Unidos (28%) e pela Rússia (14%), conforme dados do bloco.

O cenário evidencia o desafio europeu em equilibrar a necessidade de reduzir a dependência energética da Rússia com a busca por fontes alternativas, em um contexto de pressões geopolíticas e de mercado.

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