Reunião Trump-Xi: Afagos e alerta sobre conflito em Pequim
Trump e Xi: afagos e alerta de conflito em Pequim

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontrou-se com o líder chinês, Xi Jinping, nesta quinta-feira, 14 de maio, no Grande Salão do Povo, em Pequim, para uma cúpula de alto nível amplamente aguardada. O encontro ocorreu após Trump chegar em comitiva motorizada até a escadaria da Praça da Paz Celestial, onde foi recebido por uma delegação americana composta pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e por executivos de grandes empresas, incluindo Elon Musk.

Promessas de futuro promissor

Trump assegurou a Xi que as duas superpotências compartilharão um “futuro fantástico”. “É uma honra estar com o senhor. É uma honra ser seu amigo, e a relação entre China e Estados Unidos será melhor do que nunca”, afirmou o presidente republicano. “Vamos ter um futuro fantástico juntos”, acrescentou, em tom otimista.

Xi defende parceria, não rivalidade

Em resposta, Xi enfatizou que os dois países devem ser “parceiros, não rivais”. “Uma relação estável entre China e Estados Unidos é uma bênção para o mundo. A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto o confronto prejudica ambas. Deveríamos ser parceiros, não rivais”, declarou. O líder chinês também expressou felicidade em receber Trump em sua primeira visita à China desde 2017, quando, segundo ele, “o mundo chegou a uma nova encruzilhada”.

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Alerta sobre Taiwan

Apesar do tom cordial, Xi fez uma advertência contundente sobre a questão de Taiwan, considerada por ele o tema mais sensível nas relações bilaterais. “Se for mal administrada, as duas nações podem ter um choque ou, inclusive, entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e Estados Unidos para uma situação muito perigosa”, disse Xi, em declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa. A reunião durou quase duas horas e 15 minutos.

Recepção contrasta com tensões

A visita de Trump é a primeira de um presidente americano à China em quase uma década. A recepção calorosa contrasta com as tensões comerciais e geopolíticas persistentes entre as duas potências. Xi recebeu Trump com um aperto de mão diante do Grande Salão do Povo, decorado com tapete vermelho e as cores dos dois países.

Taiwan: ponto crítico

A questão de Taiwan é um dos assuntos mais delicados nas relações sino-americanas. Embora os EUA reconheçam apenas a China, uma lei americana obriga Washington a fornecer armas de defesa para Taiwan. A China prometeu reunificar Taiwan com o continente e não descarta o uso da força, em meio à crescente pressão militar sobre a ilha. Após os comentários de Xi, Taipé classificou a China como o “único risco” para a paz regional e ressaltou o “apoio claro e firme” dos EUA.

Adam Ni, editor do boletim China Neican, disse à AFP que a “linguagem direta” de Xi é incomum, mas não inesperada. “Xi quer deixar isso muito claro. Ele acredita que a questão de Taiwan é o potencial barril de pólvora entre as duas superpotências”, explicou.

Irã ofusca visita

A guerra no Irã, que levou Trump a adiar a visita de março para maio, também foi tema central. Antes do encontro, Trump afirmou esperar uma “longa conversa” com Xi sobre o Irã, que vende a maior parte de seu petróleo para a China, apesar das sanções americanas. No entanto, o presidente americano insistiu que não precisava de “nenhuma ajuda” de Pequim. Já o secretário de Estado Marco Rubio, crítico ferrenho da China, disse que Washington esperava convencer Pequim a “desempenhar um papel mais ativo”.

Estreito de Ormuz e acordos comerciais

A Casa Branca informou que Trump e Xi concordaram sobre a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto para garantir a livre circulação de energia. Trump também espera assinar acordos comerciais em áreas como agricultura e aviação durante a visita. Executivos como Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla, integram a delegação. Xi prometeu que “a China abrirá cada vez mais suas portas para o mundo exterior” e que as empresas americanas terão “perspectivas ainda mais promissoras”.

Após a reunião, os dois presidentes fizeram uma pausa e seguiram para o Templo do Céu, Patrimônio da Humanidade, onde imperadores chineses costumavam pedir boas colheitas.

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