Irã pressiona Brics a condenar ataques dos EUA e Israel: 'Expansionismo ilegal'
Irã pressiona Brics a condenar ataques dos EUA e Israel

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pediu nesta quinta-feira, 14, que os países do Brics condenem formalmente os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. Durante uma reunião do bloco, Araghchi afirmou que Teerã é 'vítima de expansionismo ilegal e belicismo' e convocou resistência à 'hegemonia ocidental'. Ele também acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto nas operações militares contra o Irã.

'O Irã conclama os membros do Brics e toda a comunidade internacional responsável a condenarem explicitamente as violações do direito internacional cometidas pelos Estados Unidos e Israel', declarou o ministro. O bloco é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos.

Ofensiva diplomática em momento delicado

A ofensiva diplomática iraniana ocorre em um momento delicado para o Brics, que opera por consenso e reúne países com posições divergentes sobre o conflito, iniciado em 28 de fevereiro. Após os ataques americanos e israelenses, o Irã retaliou atingindo alvos em países do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos. A Índia, que preside o Brics em 2026 e mantém relações próximas com Abu Dhabi, tem sido uma das economias mais afetadas pela crise no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

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Escalada das tensões e riscos à navegação

Apesar de um cessar-fogo parcial estar em vigor, ataques continuam sendo registrados na região. Na quarta-feira, 13, uma embarcação com bandeira indiana que seguia da Somália para os Emirados Árabes Unidos afundou nas águas de Omã após um incêndio a bordo. Todos os 14 tripulantes foram resgatados pela Guarda Costeira omanense. O governo indiano não informou oficialmente a causa da explosão, mas a empresa britânica de gestão de risco marítimo Vanguard afirmou que o incidente pode ter sido provocado por um ataque com drone ou míssil.

Em discurso no encontro, o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, alertou para os riscos à navegação e ao abastecimento energético global. 'As tensões contínuas, os riscos ao tráfego marítimo e as interrupções na infraestrutura de energia destacam a fragilidade da situação', afirmou. Sem citar diretamente EUA ou Israel, Jaishankar criticou o uso crescente de sanções e 'medidas coercitivas unilaterais inconsistentes com o direito internacional e a Carta da ONU', argumentando que essas ações afetam de forma desproporcional os países em desenvolvimento.

Enquanto a reunião do Brics ocorria em Nova Délhi, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutia a guerra no Irã com o presidente da China, Xi Jinping, durante visita a Pequim. Segundo um comunicado da Casa Branca, os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que Teerã não pode obter armas nucleares.

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