O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está reunido nesta quarta-feira (13) com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim. O encontro deve girar em torno de uma série de pautas espinhosas entre os dois países, como armas nucleares, inteligência artificial e Taiwan.
Essa é a segunda vez em menos de um ano que Trump e Xi se encontram presencialmente. No último encontro, em outubro de 2025, os dois anunciaram acordos e concordaram em pausar a guerra comercial entre os dois países. Desta vez, no entanto, a reunião ocorre em meio a um conflito em andamento: a guerra no Irã. Apesar do cessar-fogo no Oriente Médio, Trump vem ameaçando novos ataques diante da falta de acordo. A China é uma importante parceira do Irã e segue como uma das principais compradoras do petróleo iraniano.
Pressão sobre o Irã e Rússia
O governo Trump tem pressionado Pequim a usar a influência sobre o Irã para avançar negociações e impedir que o país desenvolva uma arma nuclear. Além do Irã, Trump também deve tratar com Xi da Rússia, em uma tentativa de avançar nas conversas de paz com a Ucrânia.
Tensões nucleares entre China e EUA
Também há tensões que envolvem diretamente China e Estados Unidos. Em novembro de 2025, Trump acusou Pequim de testar armas nucleares em segredo. A acusação foi reforçada por um subsecretário norte-americano em fevereiro deste ano, pouco antes do início da guerra no Irã. O governo Trump afirma que a China tem realizado testes nucleares subterrâneos sem limites e transparência. Pequim nega as acusações e condenou as declarações feitas por Trump. O presidente norte-americano tem demonstrado interesse em um acordo conjunto entre EUA, Rússia e China para limitar a proliferação de armas nucleares. À Reuters, uma autoridade do governo chinês disse que Xi não tem interesse em discutir o tema neste momento.
Taiwan e fornecimento de armas
Outro tema delicado entre os dois países é Taiwan. A China considera a ilha parte do próprio território. Já os Estados Unidos atuam para garantir a autonomia da região. Os EUA têm fornecido armas para Taiwan, o que irritou a China. Enquanto isso, Pequim reforçou a presença militar no entorno da ilha, o que gerou reação negativa dos norte-americanos. Trump afirmou na segunda-feira (11) que vai discutir com Xi o fornecimento de armas para Taiwan. "Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso. Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar", disse Trump a repórteres durante evento na Casa Branca.
Inteligência artificial e comércio
Além das tensões geopolíticas, Trump e Xi também devem discutir temas econômicos e tecnológicos, como inteligência artificial (IA) e tarifas. Em relação à IA, assessores do governo Trump têm demonstrado preocupação com o avanço de modelos desenvolvidos na China. A avaliação é que os países precisam criar um canal de comunicação para evitar conflitos. O encontro desta semana pode pavimentar essa conversa. O tema ganhou peso após uma nova escalada de tensões em abril. Os EUA acusaram a China de promover roubo em larga escala de tecnologia de inteligência artificial, com tentativas organizadas de acessar sistemas americanos. Segundo a Casa Branca, as ações envolveriam contas falsas e técnicas para contornar mecanismos de segurança e extrair dados sensíveis. O episódio também levantou dúvidas sobre a liberação de chips avançados de IA para empresas chinesas.
Já na área comercial, os dois países ainda vivem uma trégua firmada em outubro de 2025, após uma guerra tarifária. O acordo foi alcançado no último encontro entre Trump e Xi Jinping e prevê redução de tarifas, compras de produtos americanos pela China e manutenção do fornecimento de minerais raros chineses aos EUA. Desta vez, é esperado que Trump e Xi anunciem a criação de fóruns para facilitar o comércio e investimentos entre os dois países. Na mesa de negociações também estará a prorrogação do tratado que interrompeu a guerra comercial entre os dois países.



