Quatro anos de guerra: Zelensky afirma que Putin não quebrou resistência ucraniana
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou nesta terça-feira (24) que o líder russo Vladimir Putin não alcançou seus objetivos após quatro anos de invasão ao território da Ucrânia. Em mensagem em vídeo transmitida à população, Zelensky foi enfático ao afirmar que a Rússia não conseguiu quebrar a determinação dos ucranianos.
Declarações contundentes de ambos os lados
"Putin não alcançou seus objetivos. Não quebrou os ucranianos. Não venceu esta guerra", afirmou Zelensky, acrescentando que preservarão a Ucrânia e farão tudo possível para conseguir paz com justiça.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que os objetivos de guerra ainda não foram alcançados, mas garantiu que a Rússia continuará lutando até conquistá-los. Em coletiva de imprensa, Peskov justificou a continuidade da "operação militar especial" como necessária para garantir segurança no leste da Ucrânia.
Impacto devastador do conflito
A guerra completa quatro anos com um saldo trágico:
- Centenas de milhares de mortos desde o início da invasão em 24 de fevereiro de 2022
- Cidades inteiras destruídas e milhões de ucranianos forçados a fugir do país
- Aumento significativo dos gastos em defesa em países europeus
- Ocupação russa de aproximadamente 20% do território ucraniano
A Rússia justifica a invasão como medida preventiva contra a possível adesão da Ucrânia à Otan, alegando que tal movimento ameaçaria sua segurança nacional. Já a Ucrânia considera o conflito como ressurgimento do imperialismo russo.
Solidariedade internacional e negociações estagnadas
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visitou Kiev nesta terça-feira para reafirmar o compromisso duradouro da União Europeia com a Ucrânia. Em mensagem, ela declarou que não cederão até que a paz seja restaurada "nos termos da Ucrânia".
As negociações de paz, retomadas no ano passado por iniciativa dos Estados Unidos, não conseguiram interromper os combates. Zelensky insiste em exigir garantias de segurança de Washington antes de assinar qualquer acordo com Moscou, enquanto a Rússia rejeita propostas ucranianas sobre envio de forças europeias após eventual cessar-fogo.
Cenário atual e perspectivas futuras
Nos últimos meses, as tropas russas avançaram lentamente na região leste do Donbass, epicentro de combates violentos. Simultaneamente, a Ucrânia enfrenta a pior crise energética desde o início da invasão, agravada por um inverno rigoroso no hemisfério norte.
Um relatório conjunto do Banco Mundial, UE e ONU estima que a reconstrução pós-guerra custará 588 bilhões de dólares (3 trilhões de reais) na próxima década, evidenciando a dimensão da devastação em um país que já era um dos mais pobres da Europa.
Enquanto Putin insiste que os soldados russos defendem as "fronteiras" da Rússia na Ucrânia para assegurar "paridade estratégica", Zelensky mantém sua determinação: "Hoje, precisamos estar tão fortes e determinados quanto estávamos há quatro anos, quando a invasão começou".