Irã reafirma enriquecimento de urânio em negociações nucleares com EUA
Irã mantém enriquecimento de urânio em diálogo com EUA

Irã insiste em enriquecimento de urânio em diálogo nuclear com EUA

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, declarou neste domingo (8) que o governo iraniano não renunciará à sua capacidade de enriquecer urânio durante as negociações com os Estados Unidos para um novo acordo nuclear. Em discurso a diplomatas em uma cúpula em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, que participou da primeira rodada de conversas com Washington em Omã, negou veementemente que o Irã tenha interesse em desenvolver uma bomba atômica, como alegam os EUA e nações europeias.

"Acredito que o segredo do poder da República Islâmica do Irã reside em sua capacidade de resistir à intimidação, à dominação e às pressões de outros", afirmou Araghchi. "Eles temem nossa bomba atômica, embora não estejamos buscando desenvolvê-la. Nossa bomba atômica é o poder de dizer não às grandes potências. O segredo do poder da República Islâmica está no poder de dizer não aos poderes".

Negociações iniciam com clima positivo

Na sexta-feira (6), Irã e Estados Unidos deram início às negociações para um novo acordo nuclear, após semanas de trocas de ameaças entre os dois países. Abbas Araghchi descreveu a reunião como tendo uma "atmosfera muito positiva", com ambos os lados concordando em avançar nos diálogos. "Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados", disse Araghchi à TV estatal iraniana, acrescentando que as partes "concordaram em continuar as negociações, mas decidiremos posteriormente sobre as modalidades e o cronograma".

O chanceler iraniano também reiterou aos EUA, através da agência de notícias estatal Irna, que qualquer progresso no diálogo depende de Washington cessar as ameaças de agressão militar. Pouco antes dessas declarações, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que as negociações haviam terminado "por enquanto", causando frustração, já que ocorreram apenas algumas horas após o início das conversas. "Os negociadores retornarão às suas capitais para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança deve ser superada", explicou o porta-voz.

Reações internacionais e contexto tenso

No mesmo dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, ao embarcar para um fim de semana de folga na Flórida, elogiou o encontro com o Irã, afirmando que os representantes de seu governo tiveram "conversas muito boas" com os de Teerã. O encontro, que durou cerca de seis horas, começou pouco antes das 5h no horário de Brasília e terminou perto das 11h, com o objetivo de alcançar um consenso diplomático em meio a ameaças mútuas recentes.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Al Busaidi, caracterizou as discussões como "conversas muito sérias" e indicou novas reuniões no futuro. "Pretendemos nos reunir novamente no devido momento, com os resultados sendo cuidadosamente avaliados em Teerã e em Washington", afirmou. Segundo o site norte-americano "Axios", mais reuniões entre EUA e Irã devem ocorrer nos próximos dias.

Horas antes da reunião, Araghchi enfatizou que o Irã está pronto para defender seus direitos e que "entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado". "Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de posição, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — eles são uma necessidade e os pilares de um acordo duradouro", declarou.

Divergências e preocupações globais

O encontro ocorreu em um contexto de aumento das tensões no Oriente Médio, com os EUA enviando reforços militares para a região. Donald Trump expressou preferência pela via diplomática, mas alertou que pode optar por ação militar caso não haja acordo. As autoridades americanas e iranianas divergem sobre a pauta das negociações:

  • Os EUA buscam limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país, além de almejar "capacidade nuclear zero" do Irã.
  • O Irã defende que as conversas se concentrem exclusivamente em seu programa nuclear, afirmando que tem fins pacíficos, enquanto Estados Unidos e Israel acusam o país de buscar armas nucleares.

As ameaças militares incluem o envio de soldados, porta-aviões, navios de guerra e aviões de combate pelos EUA para pressionar o Irã, com Trump advertindo que "coisas ruins" podem acontecer sem acordo. Em resposta, o Irã posicionou um de seus mísseis balísticos mais avançados, o Khorramshahr 4, em uma base subterrânea, com alcance de até 2.000 km.

A preocupação internacional é palpável, com países como Turquia, nações árabes do Golfo, Alemanha e China expressando temores sobre uma possível escalada de conflito. O chanceler alemão, Friedrich Merz, destacou "grande preocupação" e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região, enquanto a China apoiou o direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força.