Gasto militar global atinge maior patamar desde a Segunda Guerra Mundial em 2025
Mesmo com uma leve queda temporária nas despesas de defesa dos Estados Unidos, o gasto militar global registrou um crescimento significativo em 2025, mantendo o nível mais alto da história desde o conflito mundial. O aumento real foi de 2,5% em comparação com 2024, totalizando US$ 2,63 trilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 13,58 trilhões. Esse valor supera em cerca de R$ 1 trilhão o Produto Interno Bruto estimado para o Brasil no mesmo ano.
Europa lidera alta com aumento recorde de 12,7%
Quem impulsionou essa elevação foi a Europa, que apresentou um crescimento extraordinário de 12,7% em seus dispêndios com Forças Armadas. Esse salto é atribuído principalmente às ações dos presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Donald Trump, dos Estados Unidos. Putin alterou a percepção de risco no continente com a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão total da Ucrânia em 2022, completando quatro anos nesta terça-feira. Enquanto isso, Trump, ao retornar ao poder no ano passado, catalisou o processo ao transferir a conta do apoio ocidental à Ucrânia para os europeus, zerando o envio de ajuda direta e incentivando a compra de armas.
Como resultado, a fatia europeia no gasto militar global saltou de 17% em 2022 para 21,4% em 2025, um avanço notável em um setor com contratos de longo prazo e investimentos pesados. A Alemanha se destacou, elevando seus gastos de US$ 88 bilhões em 2024 para US$ 107,3 bilhões em 2025, consolidando sua liderança sobre o Reino Unido no ranking.
Estados Unidos mantêm soberania, mas com soluço orçamentário
Na primeira posição do ranking, os Estados Unidos continuam soberanos, apesar de uma redução de cerca de 5% em seus gastos com defesa no ano passado, devido a uma regra de manutenção de patamar nominal. No entanto, Trump apresentou o primeiro orçamento da área a ultrapassar US$ 1 trilhão, aprovado em dezembro e com potencial de crescimento de até 50%. Os EUA ainda representam 35% do gasto militar global, aplicando em dez dias o equivalente ao orçamento anual de defesa do Brasil.
Em termos de proporção do PIB, os Estados Unidos reduziram seu dispêndio para 3%, abaixo da meta de 5% que cobram dos aliados. Em contrapartida, a média global subiu para 2,01%.
China e Rússia ultrapassam EUA em paridade de poder de compra
Uma novidade significativa ocorre no segundo e terceiro lugares do ranking, ocupados por China e Rússia. Pela primeira vez na história, o total combinado desses países, considerando a paridade de poder de compra, supera o dos Estados Unidos. A China gastou US$ 251,3 bilhões, equivalentes a US$ 531,4 bilhões na prática, enquanto a Rússia aplicou US$ 186,2 bilhões, valendo US$ 523,6 bilhões de fato.
Putin, após elevar seus gastos em 57% em 2024, desacelerou para um crescimento de cerca de 3% em 2025, mas mantém uma máquina de guerra adaptativa, conforme destacou Bastian Giegerich, diretor-geral do IISS. A Rússia gasta 7,33% de seu PIB em defesa, o terceiro maior nível mundial, atrás da Ucrânia (21,2%) e da Argélia (8,8%).
Brasil cai para 20º lugar no ranking devido a cortes orçamentários
O Brasil, que já havia caído três posições no ranking de 2023 para 2024, desceu mais três degraus e agora ocupa o 20º lugar, principalmente devido a cortes orçamentários. Apesar de um projeto aprovado no Congresso prevendo gastos extras de até R$ 5 bilhões anuais fora da meta fiscal, isso não deve alterar significativamente o cenário geral.
O relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), publicado nesta terça-feira, destaca que as aventuras geopolíticas de Trump na Venezuela e no Irã devem refletir em novos recordes no balanço de 2026, mantendo a tendência de alta nos gastos militares globais.