Irã negocia compra de mísseis supersônicos chineses em meio a tensões regionais
A República Islâmica do Irã está em fase avançada de negociações com a China para adquirir mísseis de cruzeiro antinavio supersônicos, conforme revelado pela agência de notícias Reuters nesta terça-feira (24). O acordo para os mísseis chineses modelo CM-302 está próximo de ser concluído, embora ainda não exista uma data definida para a entrega dos armamentos.
Capacidade militar ampliada
Segundo seis fontes com conhecimento direto das tratativas, esses mísseis possuem alcance aproximado de 290 quilômetros e são projetados especificamente para escapar das defesas embarcadas, voando em baixa altitude e em altíssima velocidade. Dois especialistas em armamentos consultados pela Reuters afirmaram que a utilização desses equipamentos aumentaria significativamente a capacidade ofensiva do Irã e representaria uma ameaça concreta às forças navais dos Estados Unidos que atuam na região.
As negociações entre os dois países aliados ocorrem em um momento de grande tensão geopolítica, com os Estados Unidos mantendo uma presença militar naval extensa próxima à costa iraniana. Essa mobilização inclui dois porta-aviões, diversos destróieres e dezenas de jatos de combate, sendo considerada a maior desde a invasão do Iraque em 2003, de acordo com a mídia norte-americana.
Contexto de confronto nuclear
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar o Irã caso o regime do aiatolá Ali Khamenei não aceite um tratado para limitar o programa nuclear iraniano. Enquanto os Estados Unidos e Israel acusam Teerã de enriquecer urânio para fins bélicos, o governo iraniano insiste que suas atividades têm objetivos exclusivamente pacíficos.
As tratativas para aquisição dos mísseis, que começaram há pelo menos dois anos, ganharam impulso acelerado após a Guerra de 12 dias entre Israel e Irã em junho de 2025. As conversas envolveram autoridades iranianas de alto escalão, segundo informações da agência de notícias.
Impacto estratégico significativo
"É uma mudança completa de jogo se o Irã tiver capacidade supersônica para atacar navios na região. Esses mísseis são muito difíceis de interceptar", afirmou Danny Citrinowicz, ex-oficial de inteligência israelense e atual pesquisador sênior sobre o Irã no Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.
A Reuters não conseguiu determinar detalhes quantitativos do possível acordo, como o número exato de mísseis envolvidos, o valor que o Irã teria concordado em pagar, nem se a China seguirá adiante com a transação diante do aumento das tensões na região. Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou à agência que "o Irã tem acordos militares e de segurança com seus aliados, e agora é um momento apropriado para fazer uso desses acordos".
Desafio a embargos internacionais
Os mísseis CM-302 estariam entre os equipamentos militares mais avançados já transferidos pela China ao Irã e representariam um desafio direto ao embargo de armas das Nações Unidas, imposto inicialmente em 2006. As sanções foram suspensas em 2015 como parte do acordo nuclear com os Estados Unidos e aliados, mas foram restabelecidas em setembro do ano passado.
Além dos mísseis antinavio, o Irã também está em negociações para adquirir outros sistemas militares chineses, incluindo:
- Sistemas de mísseis superfície-ar
- MANPADS (sistemas portáteis de defesa antiaérea)
- Armas antibalísticas
- Armas antissatélite
Acordo paralelo com a Rússia
Paralelamente às negociações com a China, o regime de Khamenei concluiu recentemente uma compra secreta de lançadores de mísseis russos, conforme revelado pelo jornal britânico Financial Times. O acordo, avaliado em 500 milhões de euros, compromete a Rússia a entregar 500 unidades de lançamento portáteis "Verba" e 2.500 mísseis "9M336" ao longo de três anos, entre 2027 e 2029.
A Rússia mantém um tratado de parceria estratégica com o Irã, embora este não inclua uma cláusula de defesa mútua. Esses desenvolvimentos ocorrem após os ataques norte-americanos de junho do ano passado contra três principais locais nucleares iranianos, quando os Estados Unidos se juntaram à campanha militar de Israel contra o Irã.
Embora o presidente Trump tenha afirmado que as principais instalações nucleares do Irã foram destruídas, uma avaliação preliminar da inteligência norte-americana na época indicou que os ataques aéreos apenas atrasaram a capacidade nuclear iraniana em alguns meses, sem destruí-la completamente. Autoridades iranianas afirmam repetidamente que Teerã se recuperou totalmente dos danos sofridos durante a guerra e que suas capacidades estão melhores do que nunca.