EUA usam inteligência artificial Claude em ataque militar ao Irã, revela imprensa
EUA usam IA Claude em ataque ao Irã, diz imprensa

EUA empregam inteligência artificial Claude em operação militar contra o Irã

Os Estados Unidos utilizaram a ferramenta de inteligência artificial Claude durante a ofensiva militar conjunta com Israel contra o Irã no último sábado, 28 de fevereiro de 2026. A revelação foi feita pelo jornal The Wall Street Journal e confirmada pelo site Axios e pela agência de notícias Reuters, marcando um momento histórico no uso de tecnologias avançadas em conflitos armados.

Como a IA foi integrada nas operações militares

O Claude é um aplicativo similar ao ChatGPT, capaz de responder a perguntas e executar comandos dos usuários. Os sistemas de modelos de linguagem, como esse, podem ser conectados a outros programas para realizar funções complexas, incluindo análises estratégicas em tempo real. O Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio, conhecido como Centcom, que é a principal base do Exército americano na região, integrou a inteligência artificial em suas operações rotineiras.

Segundo o Wall Street Journal, o Centcom emprega o Claude para diversas finalidades críticas:

  • Avaliações detalhadas de inteligência
  • Identificação precisa de alvos militares
  • Simulação de cenários de batalha para planejamento estratégico

Apesar da confirmação do uso da ferramenta, o Centcom se recusou a comentar especificamente como o assistente de IA foi utilizado na operação contra o Irã, mantendo aspectos operacionais sob sigilo.

Conflito entre o governo americano e a empresa Anthropic

Enquanto o Claude era usado na ofensiva ao território iraniano, os Estados Unidos travam uma batalha legal e ética contra a Anthropic, empresa americana responsável pela criação da ferramenta. O presidente Donald Trump ordenou na sexta-feira, 27 de fevereiro, que todos os órgãos federais dos EUA cessassem imediatamente o uso de programas da Anthropic.

O governo americano expressou insatisfação com a decisão da empresa de impedir o uso irrestrito de seus modelos de inteligência artificial pelo Departamento de Guerra, também conhecido como Pentágono. Desde 2025, a Anthropic mantém um contrato de US$ 200 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão, com o Pentágono para fornecer modelos de IA destinados a uma série de aplicações militares.

No entanto, a empresa estabeleceu limites claros e éticos para o uso de suas tecnologias:

  1. Não podem ser empregadas para vigilância em massa de cidadãos
  2. Não podem ser integradas em sistemas de armamento totalmente autônomos

Na quinta-feira, 26 de fevereiro, a Anthropic reafirmou sua posição, declarando que, apesar da pressão governamental, não permitiria o uso irrestrito de suas ferramentas pelo Departamento de Guerra. "Essas ameaças não mudam nossa posição: não podemos, em consciência, atender à sua solicitação", afirmou a empresa em comunicado.

Declarações do diretor-executivo da Anthropic

Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, explicou que os modelos de inteligência artificial foram utilizados pelos órgãos federais para defender o país, mas que a companhia mantém uma linha ética firme. Ele destacou que a empresa se opõe ao uso de suas tecnologias para vigilância em massa de cidadãos americanos e para o desenvolvimento de armas totalmente autônomas.

Amodei argumentou ainda que os sistemas de IA de ponta atualmente disponíveis não são suficientemente confiáveis para lidar com armas letais sem a supervisão humana final. "É essencial que um ser humano mantenha o controle decisório em situações que envolvem risco de vida", enfatizou o executivo, reforçando o compromisso da empresa com a segurança e a responsabilidade no uso de tecnologias emergentes.

O ataque conjunto israelense-americano resultou em escombros significativos em Teerã, capital do Irã, conforme registrado em imagens da Associated Press. Paralelamente, o Irã enfrentou novos apagões de internet durante o conflito, intensificando a instabilidade na região. Este episódio ilustra a crescente interseção entre avanços tecnológicos e estratégias militares, levantando debates cruciais sobre ética, segurança nacional e o futuro da guerra moderna.