Coreia do Norte ameaça 'resposta terrível' após drones sul-coreanos invadirem espaço aéreo
Coreia do Norte ameaça resposta após drones sul-coreanos

Coreia do Norte promete 'resposta terrível' a novas invasões de drones sul-coreanos

A Coreia do Norte emitiu uma severa advertência através de Kim Yo-jong, irmã do ditador Kim Jong-un, ameaçando uma "resposta terrível" caso drones da Coreia do Sul voltem a violar seu espaço aéreo. A declaração foi divulgada pela agência estatal KCNA na quinta-feira, 12 de fevereiro, referindo-se diretamente a um incidente ocorrido em janeiro deste ano.

Incidente de janeiro reacende tensões na península

No dia 10 de janeiro, veículos aéreos não tripulados teriam invadido o espaço aéreo norte-coreano nas proximidades do polo industrial de Kaesong. Na ocasião, Pyongyang divulgou imagens dos destroços dos equipamentos, acusando Seul de promover "atos de provocação" deliberados. Investigadores sul-coreanos, por sua vez, apontaram um civil como responsável pelo episódio, minimizando a participação estatal.

Kim Yo-jong, que ocupa o cargo de vice-diretora do comitê central do Partido dos Trabalhadores, foi enfática em seu comunicado: "Eu aviso desde já que a repetição de tal provocação, que viola a soberania inalienável da República Popular Democrática da Coreia, certamente provocará uma resposta terrível". A líder norte-coreana deixou claro que qualquer nova violação seria tratada com extrema severidade, independentemente de quem seja o autor.

Reação sul-coreana e tentativas frustradas de diálogo

Em resposta às ameaças, o ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, expressou "profundo pesar" pelo incidente durante discurso em uma catedral local. Yo-jong classificou a declaração como "uma sorte", mas manteve a postura firme de que seu país levará o caso a sério, seja ele atribuído a um indivíduo isolado ou ao Estado sul-coreano.

Desde que assumiu o poder, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung tem tentado estabelecer uma linha de diálogo com Pyongyang, mas as tentativas têm sido ignoradas pelo governo norte-coreano. Em janeiro, Lee chegou a afirmar que o incidente dos drones constituía um crime grave contra a paz e a segurança da Península Coreana, demonstrando a gravidade com que Seul encara a situação.

Contexto histórico e preocupações regionais

As relações entre as duas Coreias permanecem tensas sob um frágil armistício estabelecido na década de 1950. Seul frequentemente expressa preocupação com possíveis provocações contra seu vizinho, que possui um arsenal nuclear considerável. O impasse sobre os drones ocorre às vésperas de um congresso partidário norte-coreano, que acontece a cada cinco anos e é responsável por planejar as metas do país em diversas áreas, incluindo estratégias de guerra.

Este episódio reforça as tensões diplomáticas crônicas na região, onde qualquer incidente pode escalar rapidamente para um conflito mais amplo. A postura intransigente de Pyongyang e as tentativas de conciliação por parte de Seul ilustram as complexidades das relações intercoreanas, marcadas por décadas de desconfiança mútua e hostilidade latente.