Vitória histórica do BNP marca retorno ao poder após quase duas décadas
O Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), principal força da oposição, conquistou uma vitória expressiva nas eleições parlamentares realizadas nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026. Após quase vinte anos afastado do governo, o partido retorna ao poder com uma ampla maioria no Parlamento, em um momento crucial para a estabilidade política e econômica do país.
Resultado eleitoral consolida maioria parlamentar
De acordo com dados oficiais da Comissão Eleitoral de Bangladesh, o BNP e seus aliados conquistaram pelo menos 212 das 299 cadeiras em disputa no Jatiya Sangsad, o Parlamento nacional. A aliança liderada pelo Jamaat-e-Islami ficou com 77 assentos, enquanto o Partido Nacional do Cidadão (NCP), formado por jovens ativistas que tiveram papel central na queda do governo anterior, elegeu cinco deputados.
A participação eleitoral foi significativamente maior que nas eleições anteriores, com estimativas indicando que aproximadamente 60% do eleitorado compareceu às urnas, superando os 42% registrados em 2024. Esta votação é considerada a primeira disputa verdadeiramente competitiva no país em muitos anos.
Tarique Rahman prepara-se para assumir como primeiro-ministro
O resultado eleitoral abre caminho para que Tarique Rahman, líder do BNP e uma das figuras mais influentes da oposição nos últimos anos, assuma o cargo de primeiro-ministro. Rahman, de 60 anos, é filho da ex-primeira-ministra Khaleda Zia e do ex-presidente Ziaur Rahman, assassinado em 1981.
Em comunicado oficial, o BNP orientou seus apoiadores a evitarem celebrações públicas e a realizarem orações especiais. Rahman ainda não se pronunciou publicamente sobre a vitória, mas foi visto deixando sua residência em Dhaka em direção a uma mesquita, acenando discretamente a apoiadores.
Contexto de instabilidade política e crise econômica
O novo governo assume em um cenário complexo, marcado pela queda da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina em 2024, após meses de protestos violentos liderados pela juventude da Geração Z. Esses protestos afetaram profundamente a rotina do país e setores estratégicos da economia, incluindo a importante indústria têxtil.
A repressão aos protestos deixou cerca de 1.400 mortos, segundo estimativas das Nações Unidas, mergulhando o país em uma crise política e econômica sem precedentes. Desde então, um governo interino liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus esteve à frente da administração.
Desafios imediatos para o novo governo
Bangladesh, nação de maioria muçulmana com aproximadamente 175 milhões de habitantes, é o segundo maior exportador mundial de vestuário. A retomada da produção têxtil e a recuperação da confiança dos investidores são apontadas como prioridades imediatas para o novo governo.
No manifesto eleitoral, o BNP prometeu focar em:
- Geração de empregos em larga escala
- Proteção de famílias de baixa renda
- Garantia de preços justos aos agricultores
- Restauração da estabilidade institucional
- Reposicionamento de Bangladesh no cenário regional
Referendo constitucional paralelo às eleições
Paralelamente às eleições legislativas, foi realizado um referendo sobre reformas constitucionais que incluem propostas significativas:
- Limitação de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro
- Maior independência do Judiciário
- Ampliação da representação feminina na política
- Criação de governos interinos neutros durante períodos eleitorais
- Instituição de um Senado com 300 cadeiras
O resultado oficial desta consulta popular ainda não foi divulgado pelas autoridades eleitorais.
Reconhecimento internacional e disputa geopolítica
A vitória do BNP ocorre em meio a uma disputa por influência entre potências regionais e globais em Bangladesh. Entre as primeiras autoridades a parabenizarem Rahman pela vitória de seu partido estão:
- O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi
- O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif
- O embaixador norte-americano em Dhaka, Brent T. Christensen
Esta movimentação diplomática reflete a importância estratégica de Bangladesh no cenário regional e a atenção que o novo governo receberá da comunidade internacional.
Trajetória polêmica do novo líder
A carreira política de Tarique Rahman foi marcada por alegações de nepotismo e corrupção por parte de rivais políticos. Em 2007, ele foi preso por acusações de corrupção durante um governo interino apoiado por militares, afirmando posteriormente que foi torturado enquanto aguardava julgamento.
Rahman passou 18 meses na prisão antes de ser libertado, deixando posteriormente o país para residir em Londres. Sua ascensão ao poder representa não apenas uma mudança política significativa, mas também o retorno de uma figura controversa ao centro do poder em Bangladesh.