Trump anuncia bloqueio militar total no Estreito de Ormuz e petróleo dispara acima de US$ 100
Bloqueio militar de Trump no Estreito de Ormuz faz petróleo disparar

Bloqueio militar no Estreito de Ormuz anuncia nova escalada no conflito entre EUA e Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (12) um bloqueio militar total no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para a economia global. As Forças Armadas dos EUA confirmaram que iniciarão o bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília, em resposta ao fracasso das negociações de paz entre os dois países no fim de semana.

Mercados reagem com nervosismo e petróleo dispara

Os mercados internacionais reagiram com extrema preocupação aos novos desenvolvimentos no conflito do Oriente Médio. O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, com o barril do tipo Brent ultrapassando a marca psicológica de US$ 100 — uma alta de mais de 7% em apenas um dia. Esta valorização reflete os temores generalizados sobre o impacto do bloqueio no fornecimento global de energia.

Nas redes sociais, Trump havia declarado no domingo que iria "bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do estreito de Ormuz, que dá acesso aos principais portos iranianos. Segundo publicação do presidente americano, ele "instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã" para passar pela via marítima.

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Irã responde com ameaças e defende controle sobre o estreito

As Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) responderam rapidamente às declarações de Trump, afirmando que quaisquer embarcações militares que se aproximem do estreito de Ormuz serão consideradas em violação do cessar-fogo e serão "tratadas severamente". Em comunicado divulgado por veículos iranianos, as Forças Navais acrescentaram que, ao contrário das alegações americanas, o estreito está "aberto para a passagem inocente de embarcações não militares", sob controle e gestão iranianos.

Desde o início do conflito, o Irã mantém um bloqueio seletivo no estreito, permitindo apenas a passagem de navios de países considerados amistosos ou de embarcações que supostamente pagaram um pedágio estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões). Trump foi enfático em sua resposta: "Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar", disse, acrescentando que "qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno".

Especialistas questionam impacto real da medida

Segundo o especialista em transporte marítimo Lars Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, a ameaça de Trump afetaria apenas um pequeno número de embarcações que ainda navegam pela via. "Se isso for realmente feito pelos americanos, vai interromper um fluxo muito pequeno de navios. No contexto geral, isso não muda realmente nada", afirmou Jensen.

O especialista explica que qualquer empresa que pagasse pedágios ao Irã já estaria sujeita a sanções americanas, tornando o impacto econômico da medida limitado. "Antes de tudo, são pouquíssimos navios que passam. Ainda menos são os que pagam, e aqueles que pagam já estarão sujeitos a sanções americanas", completou.

Negociações de paz fracassam sobre questão nuclear

A decisão do bloqueio ocorre após as negociações de paz entre Irã e EUA fracassarem no fim de semana. Trump comentou as conversas conduzidas por seu vice, J.D. Vance, em Islamabad, capital do Paquistão, afirmando que "a reunião foi boa, a maioria dos pontos foi acordada, mas o único ponto que realmente importava, nuclear, não foi".

Segundo o presidente americano, após quase 20 horas de negociações, "há apenas uma coisa que importa — o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares". Trump afirmou ainda que previu que o Irã "voltará à mesa de negociações e nos dará tudo o que queremos".

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Irã acusa EUA de não conquistar confiança necessária

Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã nas conversas no Paquistão, afirmou no domingo que agora é o momento de os EUA "decidirem se podem conquistar nossa confiança ou não". Em publicação no X, Ghalibaf disse que enfatizou antes das negociações que o Irã tinha "boa-fé e vontade", mas, devido às experiências de duas guerras anteriores, não tinha "nenhuma confiança no lado oposto".

Respondendo diretamente aos comentários de Trump, Ghalibaf afirmou que "essas ameaças não têm efeito sobre os iranianos" e que o Irã não irá "se render sob ameaças". Ele acrescentou que as negociações foram intensas e agradeceu ao Paquistão por facilitá-las.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

No centro desta guerra, o estreito de Ormuz é uma das rotas de energia mais importantes do mundo, conectando os produtores do Oriente Médio aos principais mercados da Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte. Desde que o Irã anunciou seu fechamento parcial em 2 de março, a rota se tornou um dos epicentros do conflito atual.

Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passava pelo estreito, incluindo produção não apenas do Irã, mas também de países do Golfo como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Quase 90% desse volume seguia para a Ásia, com a China sozinha recebendo aproximadamente 38%.

Além do petróleo, o estreito é uma rota essencial para:

  • Gás natural liquefeito usado como combustível na indústria
  • Transporte e aquecimento residencial em vários países
  • Fertilizantes utilizados na agricultura mundial, incluindo o Brasil
  • Alimentos, medicamentos e produtos essenciais para o Oriente Médio

O fluxo de embarcações caiu drasticamente desde o início do conflito. Antes da guerra, cerca de 130 navios passavam diariamente pelo estreito. Atualmente, esse número reduziu para apenas cinco ou seis embarcações — uma queda de aproximadamente 95%. Qualquer instabilidade na região tem impacto quase imediato no restante do mundo, afetando preços, cadeias de abastecimento e economias inteiras.

Detalhes operacionais do bloqueio americano

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) esclareceu posteriormente que o bloqueio será direcionado apenas a navios que entram e saem de portos iranianos. Segundo o Centcom, não serão bloqueadas embarcações no estreito de Hormuz se estiverem a caminho "de e para portos não iranianos".

Desde que o cessar-fogo foi anunciado na noite da última terça-feira (7), pelo menos 60 embarcações passaram pelo estreito — uma média de 10 por dia. Embora represente um aumento significativo em relação ao período anterior ao cessar-fogo, este volume ainda é apenas uma fração do tráfego pré-guerra, quando cerca de 138 navios atravessavam o estreito diariamente, segundo dados do Joint Maritime Information Centre.

A situação permanece extremamente volátil, com ambos os lados demonstrando pouca disposição para recuar em suas posições. O bloqueio anunciado por Trump representa mais um capítulo na escalada de tensões que já dura meses e cujas consequências econômicas são sentidas em todo o planeta.