Unicef alerta: 121 crianças mortas e 370 mil desabrigadas no Líbano por ataques israelenses
121 crianças mortas e 370 mil desabrigadas no Líbano

Crise humanitária no Líbano atinge proporções devastadoras com milhares de crianças afetadas

O Líbano enfrenta atualmente uma das crises humanitárias mais graves de sua história recente, com números alarmantes divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o relatório apresentado nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, mais de 370 mil crianças foram forçadas a abandonar seus lares em apenas três semanas, enquanto 121 perderam a vida em meio aos conflitos que assolam o país.

Escala do deslocamento e impacto territorial

A intensificação dos ataques aéreos israelenses e as ordens de retirada emitidas pelas autoridades já abrangem aproximadamente 15% do território nacional libanês, com o sul do país sendo a região mais severamente afetada. Marcoluigi Corsi, representante do Unicef no Líbano, descreveu os números como "estarrecedores", revelando que uma média de 19 mil crianças ficam desabrigadas diariamente.

"O esgotamento mental e emocional que pesa sobre as crianças do Líbano é simplesmente devastador", afirmou Corsi em entrevista à agência Reuters. "Não há lugar seguro para onde as pessoas possam ir", complementou o representante, destacando que muitas dessas crianças enfrentam essa situação pela segunda ou terceira vez em pouco mais de um ano.

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Infraestrutura destruída e isolamento de comunidades

A crise humanitária se agrava com a destruição de pontes no sul do território, que deixou cerca de 150 mil pessoas completamente isoladas. Esta situação dificulta significativamente o acesso de comboios humanitários e o fornecimento de suprimentos básicos, incluindo água potável para as populações afetadas.

Mais de 660 abrigos coletivos tentam acomodar os civis deslocados, mas a maioria destes espaços é montada em escolas, o que forçou a interrupção das aulas para aproximadamente 150 mil estudantes libaneses, conforme informado pela representante da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no país.

Histórias de perda e trauma psicológico

Por trás das estatísticas, encontram-se histórias profundamente comoventes de famílias libanesas devastadas pela violência. Narijs, uma menina de seis anos que sonhava em ser médica e era descrita pela mãe como "uma flor", tornou-se uma das vítimas fatais de um bombardeio em Maifadoun, no sul do Líbano.

Sua mãe, Rana Jaber, que sobreviveu ao ataque junto com seus outros dois filhos após ficar presa sob escombros, relatou ao jornal The Guardian: "Fico repassando tudo na minha cabeça. Como nossas vidas foram destruídas. Ela era como uma flor. Essa menina... Meu coração está partido. Ainda não consigo acreditar que minha filha se foi".

Em Nabatieh, também no sul do país, uma família inteira composta por seis membros — pai, mãe e quatro filhos — foi morta em um ataque aéreo que atingiu diretamente sua residência. Vizinhos relataram que a família Basma era pobre e não possuía recursos financeiros suficientes para fugir da área, mesmo com o aviso prévio de evacuação.

Impacto psicológico duradouro e desafios na assistência

Especialistas em saúde mental alertam para as consequências psicológicas profundas e duradouras deste conflito. Rabih El Chammay, médico chefe do programa nacional de saúde mental do Ministério da Saúde Pública do Líbano, afirmou ao Guardian: "As crianças acordam com medo e a dor ecoará por anos, senão por gerações".

Os filhos sobreviventes de Rana Jaber, Abbas e Ali, apresentam sinais claros de trauma, incluindo pânico, tremores e choro diante de ruídos altos, demonstrando como a exposição constante à violência altera profundamente o comportamento das crianças.

Enquanto isso, as operações de ajuda humanitária enfrentam restrições de segurança severas e falta de autorizações para atuar em diversas áreas. Organizações como a Cruz Vermelha Libanesa tentam fornecer assistência emergencial sob imensa pressão, com seus próprios funcionários sendo afetados pelo deslocamento e pela insegurança generalizada que domina o país.

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Esta nova escalada de tensão entre Israel, Estados Unidos e Irã tem impactado diretamente o Líbano, criando uma situação humanitária que exige atenção internacional imediata e coordenada para proteger as populações mais vulneráveis, especialmente as centenas de milhares de crianças cujas vidas foram irremediavelmente alteradas pela violência.