Turismo em Caos: Overtourism, Crime e Descontrole no Verão Brasileiro de 2026
Turismo em Caos: Overtourism e Crime no Verão 2026

Turismo em Caos: Overtourism, Crime e Descontrole no Verão Brasileiro de 2026

O verão de 2026 iluminou o Brasil com um recorde histórico de turistas, impulsionando a economia nacional. Contudo, esse sucesso veio acompanhado de um lado sombrio: o overtourism transformou nossos paraísos tropicais em cenários de anarquia e descontrole.

Recorde de Visitantes e Efeitos Colaterais Indesejados

O país recebeu quase 10 milhões de turistas estrangeiros, quase o dobro do registrado em 2023. Esse crescimento, no entanto, trouxe consigo preços abusivos, desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, serviços de qualidade duvidosa e afrontas às normas ambientais. A incapacidade de acomodar visitantes com decência e conforto criou um caldo de cultura para comportamentos irresponsáveis e até para a ação do crime organizado.

Cenas de Anarquia nos 11.000 Quilômetros de Litoral

Um giro pelos pontos mais concorridos do litoral brasileiro revela cenas explícitas de desordem. Superlotação, caixinhas de som em volume máximo e ocupação ilegal da faixa de areia por barracas que cobram até 400 reais de consumação mínima por mesa são práticas comuns. A praia, vista como território de ninguém, reflete a dificuldade da sociedade em conviver sob princípios básicos de bom senso.

O antropólogo Bernardo Conde, professor da PUC-Rio, comenta: "A grande conquista da República foi ter estabelecido regras universais para todos, mas a praia é vista como território de ninguém e todos se sentem à vontade para se apropriar dela."

Desafios para as Autoridades e Degradação Ambiental

Em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, o excesso de visitantes levou o ICMBio a recomendar a proibição do desembarque de escunas nas prainhas do Pontal do Atalaia. Destinos frágeis amplificam gargalos no fornecimento de água, energia e saneamento, degradando rapidamente a experiência do turista e a qualidade de vida local.

Marcio Lacerda, vice-presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, alerta: "Em destinos frágeis, qualquer pico de demanda amplifica problemas no fornecimento de serviços essenciais."

Expansão do Crime Organizado em Paraísos Tropicais

Nem o sol inclemente tem sido capaz de clarear os esquemas nos bastidores do ambiente festivo. Em Paraty, homens que se dizem do Comando Vermelho achacam barqueiros, cobrando pedágios para acesso a praias remotas. Comunidades caiçaras se tornaram esconderijos para líderes de facções.

Um morador de Ponta Negra revela: "Todo mundo sabe que eles estão aqui, comprando casas. A polícia vem, eles escapam para a mata e depois voltam."

Destinos populares como Porto de Galinhas, em Pernambuco, se transformaram em pontos lucrativos de tráfico de drogas. Um inquérito da Polícia Civil mostrou que um único traficante movimentou 10 milhões de reais por ano na região.

Casos de Violência e Falsa Sensação de Segurança

Em Jericoacoara, no Ceará, um adolescente paulista de 16 anos foi brutalmente assassinado por integrantes do CV em 2024, após ser confundido com rival. Em Porto de Galinhas, um casal de turistas foi espancado após desentendimento sobre cobrança de consumação mínima.

Urgência em Agir para Evitar Colapso

O Brasil precisa de uma resposta rápida e eficaz das autoridades para não perder essa extraordinária chance econômica. Em 2030, estima-se a circulação de 1,8 bilhão de turistas internacionais globalmente, o que traz investimentos, mas também problemas.

Protestos de residentes em cidades como Barcelona, na Espanha, já são rotina devido ao tráfego intenso e altos preços. O risco é que a onda do turismo quebre sem que o país consiga surfá-la, transformando paraísos em cenários de caos permanente.