Trump lança programa de contas com US$ 1.000 para bebês nos Estados Unidos
O presidente americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (28) o lançamento de um programa inovador de contas bancárias destinadas a recém-nascidos. A iniciativa, batizada de "Trump accounts", faz parte de um conjunto de medidas voltadas para a acessibilidade financeira e o fortalecimento da economia do país, administradas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Como funcionam as contas para recém-nascidos
A medida tem como objetivo principal oferecer um aporte inicial de US$ 1.000 (cerca de R$ 5,2 mil) para cada criança que nascer durante o governo Trump, desde que seus pais ou responsáveis abram uma conta específica. Esse valor será investido no mercado de ações por empresas privadas, e o beneficiário só poderá acessar os recursos ao completar 18 anos de idade.
Os defensores da proposta argumentam que essa é uma forma eficaz de ajudar crianças de famílias de baixa renda a construir um patrimônio desde cedo. O dinheiro, uma vez depositado, será aplicado em fundos de índice que acompanham o desempenho do mercado acionário americano, com taxas administrativas anuais limitadas a apenas 0,10%.
Condições e regras para participação
Para ter direito ao bônus de US$ 1.000, o recém-nascido deve atender a critérios específicos:
- Ser cidadão dos Estados Unidos
- Possuir número de Seguro Social válido
- Ter nascido entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2028
É importante destacar que qualquer um dos pais pode abrir a conta para uma criança elegível, independentemente do status migratório do responsável. No entanto, o acesso ao valor só será permitido quando o beneficiário completar 18 anos, exceto em situações excepcionais previamente definidas.
Possibilidades de contribuição adicional
Além do aporte inicial do Tesouro, o programa permite contribuições complementares de diversas fontes:
- Os pais podem adicionar até US$ 2.500 anuais em renda, similar ao que ocorre com contas de aposentadoria
- Empregadores, parentes, amigos e entidades filantrópicas também podem fazer contribuições
- Governos locais têm autorização para participar com doações específicas
As contribuições anuais totais são limitadas a US$ 5.000, mas doações de governos e instituições de caridade não entram nesse cálculo. Os saques dessas contas estarão sujeitos à tributação conforme a legislação vigente.
Crianças mais velhas e programas similares
Para crianças nascidas antes de 2025, não haverá direito ao incentivo de US$ 1.000, mas os pais ainda podem abrir contas em seus nomes, desde que tenham menos de 18 anos. Nesses casos, os responsáveis podem investir até US$ 2.500 por ano em renda para essas contas.
Vale mencionar que, em dezembro, os bilionários Michael e Susan Dell anunciaram uma doação de US$ 6,25 bilhões que permitirá que algumas crianças de até 10 anos recebam US$ 250 como valor inicial, caso seus pais abram uma conta. Esse recurso é destinado especificamente a famílias com renda anual igual ou inferior a US$ 150.000 que não se qualificam para o programa federal.
Contexto e objetivos do programa
Os idealizadores das Trump accounts afirmam que o programa tem duplo propósito: apresentar mais americanos ao mercado de ações desde cedo e oferecer oportunidades financeiras para crianças de famílias menos favorecidas. Os apoiadores também destacam que a iniciativa fortalece os princípios capitalistas em um momento político onde candidatos com propostas socialistas ganham popularidade.
Dados da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA revelam que aproximadamente 58% das famílias americanas possuíam ações ou títulos em 2022, embora o 1% mais rico da população detivesse quase metade do valor total das ações naquele ano.
Antes do anúncio de Trump, estados como Califórnia, Connecticut e o Distrito de Columbia já testavam programas de "baby bonds" (títulos para bebês) com características similares. Vários outros estados, incluindo Maryland, analisam implementar iniciativas parecidas, mas com foco em jovens em situação de pobreza, lares adotivos ou que perderam parentes para a covid-19, além de serem gerenciados pelo estado em vez de empresas privadas.