
Numa guinada que promete reacender debates fervorosos sobre a independência das instituições financeiras, Donald Trump — aquele mesmo — soltou mais uma de suas bombas retóricas. Dessa vez, o alvo foi ninguém menos que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. E a jogada? Bem, é típica do seu estilo: direta, controversa e cheia de implicações.
Numa dessas entrevistas que deixam todo mundo de cabelo em pé, Trump não só criticou a suposta autonomia do Fed como prometeu brigar pela demissão de Judy Shelton, uma de suas diretoras. Não é de hoje que ele enxerga o órgão como um empecilho — mas dessa vez, a ameaça soa mais concretamente política.
O que está por trás da investida?
Trump alega que a atual gestão do Fed — sob o comando de Jerome Powell — age com viés político e não técnico. "Eles não são autônomos, são políticos", disparou, sem meias-palavras. Judy Shelton, por sua vez, foi nomeada por ele próprio em 2020, mas parece não escapar da mira agora. Coisa de política, né? Nada como uma segunda-feira para começar com notícia que mexe com o mercado.
Não é novidade que Trump gosta de um Fed mais… maleável. Já durante seu mandato, ele pressionou por juros baixos — e agora, na reta final de uma campanha eleitoral acirrada, retoma o tema com força total. A questão é: até onde vai a paciência dos mercados com esse tipo de declaração?
E as consequências?
Especialistas ouvidos por veículos econômicos alertam: mexer na autonomia do Fed é como brincar com fogo em um depósito de gasolina. A credibilidade da instituição é um pilar da estabilidade financeira global — e qualquer sinal de interferência política pesada pode gerar turbulência imediata nos mercados.
Além disso, a nomeação — ou demissão — de diretores do Fed depende de confirmação do Senado. Trump sabe disso. Mas também sabe do poder da narrativa. E ele está mais uma vez usando-a a seu favor.
Resta saber se essa estratégia vai conquistar eleitores… ou assustá-los.