Superministro de Lula acumula poderes e gera atritos no governo e campanha eleitoral
Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Lula, emergiu como uma figura de influência excepcional, muitas vezes descrita como um superministro. Com poderes que vão além das funções tradicionais de comunicação, ele interfere em estratégias políticas, diretrizes para outros ministérios e até em recomendações de demissões, gerando atritos significativos dentro do governo e com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Fusão de funções cria figura poderosa
Diferente de governos anteriores, onde as funções de comunicação governamental e marketing eleitoral eram separadas, Sidônio acumula ambas as responsabilidades. Como chefe da Secom, ele coordena a divulgação das ações do governo. Como marqueteiro, elabora estratégias para transformar essas ações em popularidade e votos para a campanha de reeleição de Lula em 2026. Essa fusão de papéis lhe conferiu uma carta branca para atuar em praticamente todas as áreas, desde que assumiu o cargo em janeiro do ano passado.
Seu gabinete no Palácio do Planalto tornou-se um centro de poder, onde programas são sugeridos, estratégias políticas são planejadas e diretrizes são emitidas para outros ministros. Qualquer anúncio, ato ou declaração com potencial de impacto na imagem do governo ou do presidente passa pelo seu crivo, consolidando seu protagonismo em meio a crescentes divergências.
Atritos e polêmicas marcam atuação
A atuação de Sidônio tem gerado tensões em vários fronts. Um exemplo recente ocorreu quando ele criticou a divulgação de uma imagem manipulada por inteligência artificial de Lula vestindo uma sunga na Restinga da Marambaia. A foto, compartilhada por petistas com a legenda "O homem é forte e o projeto longo. Vem tetra!", foi vista por Sidônio como de mau gosto e problemática, pois trouxe à tona o tema do etarismo, algo que ele pretende manter distante da campanha, dado que Lula tem 80 anos.
Além disso, ele já se envolveu em atritos com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em pelo menos duas ocasiões. Na primeira, após o Ministério da Fazenda anunciar novas regras para fiscalizar movimentações financeiras, Sidônio recomendou a revogação das medidas para debelar uma crise nas redes sociais, enquanto Haddad defendia que o recuo seria interpretado como fragilidade. Lula optou por revogar, seguindo a sugestão do chefe da Secom.
Na segunda situação, Haddad recorreu à comunicação do PT, e não à Secom, após o Congresso derrubar um decreto sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Isso gerou campanhas agressivas contra parlamentares, o que preocupou Sidônio devido a possíveis problemas no Congresso, mas ele acabou avalizando a ação diante do sucesso nas redes sociais.
Disputa de protagonismo com o PT
A atuação de Sidônio acirrou a disputa pelo protagonismo entre as equipes do governo e do partido. Enquanto o Planalto adotou um tom menos formal em suas campanhas publicitárias para enfrentar a oposição nas redes sociais, o PT também ampliou sua atuação no universo digital, produzindo material com uso de inteligência artificial. Essa competição interna reflete divergências sobre quem deve liderar a estratégia de comunicação e marketing para a campanha de 2026.
Otávio Antunes, marqueteiro do PT, creditou ao staff petista a melhora nos índices de aprovação de Lula, enquanto Sidônio atribuiu o resultado ao trabalho de sua equipe. Essa tensão destaca os desafios de coordenar esforços entre governo e partido em um ano eleitoral crucial.
Consolidação como superministro da reeleição
Apesar de inicialmente planejar se desligar do governo no início deste ano para focar integralmente na campanha eleitoral, Sidônio parece ter mudado de planos. Informações indicam que ele teria indicado Raul Rabelo, um publicitário baiano como ele, para comandar a campanha de Lula em 2026. Caso confirmada, essa escolha consolidaria Sidônio, na prática, como um superministro da reeleição, mantendo sua influência tanto no governo quanto na estratégia eleitoral.
Sua figura discreta, comparada a marqueteiros estrelados do passado como João Santana, não diminui seu poder acumulado. Com poderes excepcionais e uma atuação que gera atritos e divergências, Sidônio Palmeira se tornou um dos personagens centrais na definição dos rumos do governo Lula e na preparação para as eleições de 2026, moldando não apenas a comunicação, mas também as estratégias políticas em um ambiente de crescente tensão interna.