PT pressiona Haddad a se candidatar em São Paulo apesar de histórico de derrotas
O Partido dos Trabalhadores (PT) está intensificando a pressão sobre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para que ele aceite ser candidato ao governo de São Paulo nas próximas eleições. No entanto, a relutância de Haddad tem uma justificativa clara: ele perdeu todas as eleições que disputou na última década, incluindo campanhas para prefeito, governador e presidente.
Histórico eleitoral de Haddad e resistência atual
Fernando Haddad iniciou sua trajetória de derrotas em 2016, quando era prefeito de São Paulo e tentou a reeleição. Ele foi derrotado no primeiro turno por João Doria, do PSDB, ficando com menos de um milhão de votos, o que representou apenas 16,7% do total. Dois anos depois, em 2018, Haddad substituiu Lula na corrida presidencial contra Jair Bolsonaro, após a Justiça Eleitoral recusar a candidatura do ex-presidente devido à Lei da Ficha Limpa.
Embora pouco conhecido nacionalmente na época, Haddad conseguiu uma proeza ao chegar ao segundo turno, conquistando 47 milhões de votos, ou 44,9% do total. Em 2022, incentivado por Lula, Haddad concorreu ao governo de São Paulo, mas perdeu no segundo turno para Tarcísio de Freitas, então ministro da Infraestrutura e candidato apoiado por Bolsonaro, com 11 milhões de votos, equivalentes a 44,7% do total.
Pressão do PT e decisão pendente com Lula
Aos 63 anos, Haddad justifica sua relutância em se candidatar novamente com base nessa experiência de três derrotas seguidas. Ele prefere focar em organizar uma proposta de governo para o que seria, em tese, a última eleição presidencial de Lula. No entanto, o PT, limitado nas alternativas devido à falta de renovação em São Paulo, insiste em sua candidatura para o governo estadual ou ao Senado.
O partido precisará oferecer a Haddad o que ele sempre pediu e nunca obteve de forma efetiva: consenso e união em torno de sua candidatura. Lula chamou Haddad para uma viagem à Índia em março, e no governo, considera-se provável que o ministro retorne já ungido por Lula como candidato em São Paulo. Haddad aceita discutir o futuro, mas a decisão final será tomada em conjunto com Lula.
Enquanto isso, Haddad iniciou o rito de despedida do Ministério da Fazenda quase dois meses antes do previsto, sinalizando uma possível transição. A expectativa predominante entre parlamentares petistas é que ele aceite o desafio, apesar das incertezas e do histórico negativo nas urnas.