O Partido Social Democrático (PSD) intensificou suas articulações para as eleições presidenciais de 2026 ao apresentar três governadores como potenciais candidatos. A movimentação ganhou destaque após o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, postar uma foto ao lado de Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR), trio que forma o núcleo de presidenciáveis do partido.
Estratégia para conquistar a centro-direita
Com essa configuração, o PSD busca se posicionar como uma alternativa viável para o eleitorado de direita que não se alinha ao bolsonarismo. Esse segmento, conforme os cenários da mais recente pesquisa Quaest divulgada em 14 de janeiro, ainda concentra suas preferências majoritariamente em Flávio Bolsonaro (PL).
O partido ampliou seu leque de possibilidades com a recente filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se junta aos já cotados Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A previsão é que o PSD anuncie seu candidato oficialmente em abril, após um processo de avaliação interna.
Movimento considerado relevante na direita
Analistas políticos apontam essa articulação como a mais significativa no campo da direita desde o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para enfrentar Lula (PT) na tentativa de reeleição.
A estratégia é interpretada também como uma tentativa de construir uma alternativa ao bolsonarismo, especialmente num cenário em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já afirmou que não será candidato à Presidência e disputará a reeleição no estado, declarando apoio a Flávio Bolsonaro.
Discurso dos governadores sobre a candidatura
Em entrevistas recentes ao Estúdio i da GloboNews, os três governadores defenderam posições convergentes sobre o projeto do PSD para 2026.
Ronaldo Caiado argumentou que lançar vários candidatos de oposição no primeiro turno representa a estratégia mais inteligente para derrotar Lula. "É a estratégia correta, mais inteligente que se tem", afirmou o governador goiano, mencionando uma frente ampla da centro-direita.
Eduardo Leite defendeu que o candidato escolhido pelo partido deverá representar uma direita reformista, democrática e liberal, respeitando a diversidade do país. "O país precisa encontrar novas opções do centro para a direita", disse o gaúcho.
Ratinho Júnior criticou a polarização entre lulismo e bolsonarismo, argumentando que esse embate impede avanços concretos para a população. "Nós temos é buscado construir um projeto de um novo Brasil que saia dessa discussão menor e partidária", afirmou o paranaense.
Panorama das pesquisas eleitorais
A pesquisa Quaest de janeiro, realizada com 2.004 entrevistados, revela um cenário desafiador para os candidatos do PSD no eleitorado de direita:
- 21% dos entrevistados se declararam da direita não bolsonarista
- 12% afirmaram ser bolsonaristas
- 33% no total compõem o espectro de direita
Do outro lado do espectro político, há 19% de lulistas e 14% da esquerda não lulista, totalizando também 33%. Os independentes representam 32% dos entrevistados, grupo que pode pender para um dos lados dependendo do cenário.
Desempenho nas simulações eleitorais
Nos cenários testados pela Quaest, Flávio Bolsonaro demonstra forte predominância no eleitorado de direita:
- Na disputa com Lula e Ratinho Júnior, o senador do PL detém 59% das intenções de voto na direita não bolsonarista, contra 16% do governador paranaense
- Entre os bolsonaristas, Flávio marca 82%, contra apenas 7% de Ratinho
- Na simulação com Lula, Flávio e Caiado, o senador fica com 67% da direita não bolsonarista, contra 7% do governador goiano
Entre os eleitores independentes, Lula mantém liderança com 25% das intenções, seguido por Flávio Bolsonaro com 17% e Ratinho Júnior com 14% no primeiro cenário testado.
Processo decisório do PSD
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista que a escolha do candidato do partido à Presidência não será definida apenas pelas pesquisas de intenção de voto. "Tem essa possibilidade", disse Kassab sobre a chance de um pré-candidato pior posicionado nas sondagens ser escolhido em detrimento de quem estiver à frente.
Kassab explicou que a decisão envolverá "um conjunto de fatores que serão analisados", incluindo perspectivas políticas e relacionamentos, além dos números das pesquisas. Essa abordagem sugere que o PSD busca uma solução política mais ampla do que simplesmente seguir as preferências momentâneas do eleitorado.
Com a decisão prevista para abril, o partido mantém em suspense qual dos três governadores – ou eventualmente outro nome – será o escolhido para liderar a campanha presidencial em 2026, numa tentativa de consolidar uma terceira via no espectro político brasileiro.