Oposição travada com Flávio Bolsonaro facilita caminho de Lula à reeleição
Enquanto o presidente Lula avança com uma estratégia eleitoral baseada em comparações e no uso da máquina pública, a oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, enfrenta dificuldades para apresentar propostas concretas e um projeto alternativo ao país. A eleição de outubro de 2026 promete ser plebiscitária, exigindo mais do que críticas para seduzir o eleitorado.
Estratégia de Lula: memória e máquina
Lula, contente com sua gestão atual, marcada por programas reciclados e expansão de gastos, anunciou uma campanha de comparação. Ciente de que Flávio Bolsonaro pode ser seu oponente, o petista aposta no resgate da memória dos brasileiros sobre o período bolsonarista no Planalto. Isso inclui confrontos com instituições, negacionismo pandêmico e crises fabricadas em áreas como relações internacionais e políticas públicas.
Com base nas últimas pesquisas, essa abordagem parece ser a mais eficaz para conquistar eleitores que veem o petismo como um projeto menos pior que o bolsonarismo. Lula também busca ampliar seu discurso, focando em realizações governamentais além dos programas sociais, anunciando investimentos e pagamentos de benefícios para fortalecer sua base eleitoral.
Desafios da oposição: falta de programa e discurso
Flávio Bolsonaro, por outro lado, ainda não definiu claramente suas propostas para o país. Suas poucas ideias incluem colocar Eduardo Bolsonaro como chefe da política externa, relembrando a era de Ernesto Araújo no Itamaraty. No entanto, essa abordagem lembra a de 2018, quando Jair Bolsonaro venceu com o lema de tirar o petismo do poder, sem um plano detalhado.
A diferença é que Flávio não conta com figuras como Paulo Guedes para ancorar dúvidas econômicas. Ele tem demorado a desenvolver um discurso que desconstrua a gestão petista, aponte falhas de Lula e ofereça uma alternativa viável. Seu foco parece estar no eleitorado já convertido, que idolatra Jair Bolsonaro e rejeita o petismo, mas isso é insuficiente para uma campanha nacional.
Consequências para a eleição
Essa falta de ideias preocupa líderes da direita, especialmente após eventos como o tarifaço contra empresas brasileiras, que virou o jogo a favor de Lula. A oposição precisa fazer o eleitor sonhar com algo melhor sem Lula, mas atualmente não há propostas disponíveis. Movimentos como o de Tarcísio de Freitas, que questionava a condução de Lula com base em resultados em São Paulo, foram sufocados por Flávio.
Para bater de frente com Lula, a oposição deve começar a falar sobre questões reais, como violência, saúde e corrupção, em vez de se prender a devaneios. A insistência em críticas ao sistema e louvações a Jair Bolsonaro não constitui uma estratégia convincente para convencer o eleitorado de que será a melhor opção de governo.