O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem utilizado os acenos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma estratégia para recuperar sua popularidade. A tática envolve criticar Trump quando ele impõe tarifas ou sanções, defendendo a soberania brasileira, e, em outros momentos, posar como um negociador global relevante ao lado do republicano. A movimentação busca isolar a oposição liderada por Jair Bolsonaro, que apostava em Trump como aliado para livrar o ex-presidente de problemas judiciais.
A aposta frustrada da oposição
Quando Trump venceu a eleição norte-americana em 2024, Bolsonaro e líderes da oposição no Brasil comemoraram, esperando que o republicano pressionasse o governo e o Judiciário brasileiros a favor do ex-presidente. Acreditava-se que Trump poderia ajudar a impedir a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e até favorecer um bolsonarista nas eleições de 2026. Em linha com esse roteiro, Trump anunciou um tarifaço às exportações brasileiras e aplicou sanções, como a Lei Magnitsky, ao ministro do STF Alexandre de Moraes. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, chegou a dizer que, se o pai não pudesse concorrer, Trump não reconheceria o resultado eleitoral.
Lula capitaliza as ações de Trump
Sem rumo em seu terceiro mandato, Lula aproveitou o tarifaço e as sanções para unir o governo em torno da defesa das exportações e da soberania nacional. O petista afirmou que, ao contrário da família Bolsonaro, não se ajoelharia diante dos Estados Unidos. A retórica rendeu pontos de popularidade e tem sido repetida sempre que conveniente. Além disso, Lula utiliza Trump como ativo eleitoral: na Assembleia Geral da ONU e na recente reunião na Casa Branca, o brasileiro apareceu bem na foto, recebeu elogios e retomou o papel de negociador global, esnobando a oposição. Trump definiu Lula como "dinâmico", reforçando a imagem de vitalidade do petista aos 80 anos.
Estratégia de dois gumes
A estratégia de Lula é simples: se Trump estica a corda com tarifas, Lula critica e defende a soberania; se Trump acena ao diálogo, Lula deixa a retórica de lado e posa como estadista. Assim, o presidente brasileiro consegue capitalizar politicamente tanto as ações agressivas quanto os gestos amigáveis de Trump, isolando a oposição e fortalecendo sua própria imagem.



