O agronegócio brasileiro alcançou um novo recorde de empregos, com mais de 28 milhões de pessoas empregadas no setor, o que representa 26% do total de trabalhadores do país. Esse é o maior número desde 2012, quando o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) iniciou o levantamento. As oportunidades de trabalho, no entanto, vão muito além das fazendas, abrangendo áreas como tecnologia, logística e serviços.
Agro além da porteira
Embora muitos associem o agronegócio diretamente ao campo, a cadeia produtiva envolve três etapas principais: antes do plantio, o trabalho direto no campo e os processos pós-colheita. A maioria das novas vagas surge justamente fora das fazendas, nos chamados agroserviços. Esses incluem transporte, armazenamento, comercialização, mas também profissionais como advogados, consultores, contadores e trabalhadores de restaurantes que atendem o setor.
Em São Paulo, uma empresa de tecnologia voltada para o agro exemplifica essa tendência. Seus funcionários analisam dados de estoque e insumos de fazendas do interior paulista e da região Centro-Oeste. Giulia Muraro, que trabalha no marketing da empresa há seis meses, destaca a descoberta de um novo universo: "Agora eu trabalho com o agro e a tecnologia aplicada à indústria e ao agro. Você tem que desbravar, aprender e ter curiosidade, não tem como".
Crescimento de vagas e qualificação
Carolina Ramos, gerente comercial da mesma empresa, revela que a companhia contratou 30 novos funcionários no ano passado e planeja contratar mais 50 este ano. Esse aumento na oferta de vagas impulsionou o recorde nacional. No entanto, o agro não contratou ainda mais devido à redução de trabalhadores dentro das porteiras, fenômeno atribuído à mecanização e à migração para centros urbanos, algo já observado em outros países.
O levantamento do Cepea também aponta crescimento no número de empregados com carteira assinada e na contratação de profissionais com ensino superior. Em Rancharia, interior de São Paulo, uma empresa de beneficiamento de soja aumentou seu quadro de funcionários em 40% no último ano, passando de 160 para 230 colaboradores. Segundo Veronei Alves, diretor executivo, as contratações ocorreram principalmente nas áreas comercial, administrativa e operacional, já que a empresa exporta para três continentes: Europa, Ásia e Oriente Médio.
Nicole Rennó Castro, professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea, explica que os agroserviços puxaram o crescimento, englobando desde serviços logísticos até profissionais liberais que atendem produtores rurais. O recorde de empregos no agronegócio reforça a importância do setor para a economia brasileira, com oportunidades que vão além do campo e exigem cada vez mais qualificação.



