Bolsonaro deixa precedente eleitoral: Lula repete gastança para tentar subir nas pesquisas
Lula segue precedente de Bolsonaro com gastança para eleições

Desafio eleitoral leva Lula a repetir estratégia de gastança de Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta atualmente um dos principais desafios de seu governo: recuperar popularidade e subir nas pesquisas de intenção de voto, onde aparece em disputa equilibrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A insatisfação do eleitorado com o custo de vida tem sido um obstáculo significativo, especialmente após os recentes ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que fizeram disparar o preço do petróleo no mercado internacional.

Medidas emergenciais e seu custo bilionário

Para conter o mau humor do eleitorado, o governo federal anunciou uma série de medidas que podem custar até 31 bilhões de reais aos cofres públicos. Entre elas estão subvenções para óleo diesel e gás de cozinha, além da desoneração de PIS/Cofins para diesel e querosene de aviação. Todo esse esforço tem como objetivo principal impedir reajustes nos preços dos combustíveis e das passagens aéreas, que poderiam agravar ainda mais a situação de um eleitorado que já lida com níveis recordes de endividamento.

As medidas serão compensadas com o aumento do imposto sobre cigarros e com a cobrança de tributo sobre a exportação de petróleo, criando um complexo equilíbrio fiscal que tem sido alvo de debates entre especialistas em economia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A caneta presidencial como arma eleitoral

Outra estratégia que Lula tem utilizado para ganhar pontos perante o eleitorado é o uso da chamada "caneta presidencial" e da máquina pública. No ano passado, o presidente abusou desses instrumentos para plantar bondades que espera colher na forma de votos em outubro. Entre as medidas mais destacadas estão:

  • Isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais por mês
  • Distribuição de gás de cozinha para 15 milhões de famílias
  • Redução da conta de luz, em alguns casos a zero, para 60 milhões de famílias

Tradicionalmente, esse tipo de gastança e bondades ocorre quando candidatos à reeleição estão em dificuldade, seguindo um padrão que já foi observado em governos anteriores.

O precedente estabelecido por Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro sabe bem como funciona essa dinâmica. Em junho de 2022, ele aparecia dezenove pontos percentuais atrás de Lula na pesquisa Datafolha, um cenário bastante desfavorável para sua reeleição. No mês seguinte, alegando a necessidade de atenuar os efeitos dos ataques da Rússia à Ucrânia, Bolsonaro conseguiu aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitiu ao governo furar o teto de gastos.

Essa manobra liberou mais de 40 bilhões de reais para custear uma série de medidas populistas, incluindo:

  1. Ampliação do Bolsa Família de 400 reais para 600 reais
  2. Distribuição de ajuda financeira a caminhoneiros
  3. Outros benefícios direcionados a setores estratégicos do eleitorado

O resultado foi uma arrancada nas pesquisas que permitiu ao então presidente encostar no petista, culminando em uma disputa acirrada no segundo turno, vencida por Lula por menos de dois pontos percentuais de diferença.

O caminho aberto para Lula

O precedente estabelecido por Bolsonaro em 2022 está agora aberto para Lula, que já demonstrou inúmeras vezes não precisar de pretexto para gastar mais. A estratégia de recorrer à gastança pública em momentos de dificuldade eleitoral parece ter se consolidado como uma ferramenta política, independentemente do discurso oficial sobre ajuste fiscal e responsabilidade econômica.

Enquanto o governo defende publicamente a necessidade de um ajuste fiscal responsável, na prática recorre a medidas de gastança que ecoam claramente as táticas utilizadas por Bolsonaro durante sua campanha de reeleição. Esse cenário levanta questões importantes sobre a sustentabilidade das políticas públicas e os reais motivos por trás de decisões que impactam profundamente as contas do país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

O eleitorado brasileiro se encontra agora diante de um padrão que se repete: governantes em dificuldade recorrendo ao erário público para tentar reverter cenários eleitorais desfavoráveis, criando um ciclo que tem implicações profundas para a economia nacional e para a própria democracia brasileira.