
O presidente Lula desembarcou em Minas Gerais nesta sexta-feira com um discurso afiado — e não perdeu tempo. Logo de cara, mirou no que chamou de "tarifaço" que está asfixiando o bolso do brasileiro. Não foi um comentário passageiro, não. Foi uma crítica estruturada, daquelas que ecoam.
"O povo não aguenta mais pagar tanto imposto em cima de tudo que consome", disparou, com aquela convicção que mineiro entende bem. E olha que ele sabe falar para mineiro — já foi tantas vezes aqui que quase virou um deles.
Novos ventos comerciais
Mas não foi só de críticas que se fez a fala. Lula trouxe na manga uma proposta concreta: o Brasil vai sair pelo mundo atrás de novos mercados. "Precisamos diversificar, gente. Não podemos ficar reféns de meia dúzia de compradores." A mensagem era clara como água de mina — o país precisa ampliar seu leque de parceiros comerciais.
E não se engane: isso aqui é mais que discurso. É uma mudança de rota na política externa comercial. Querem abrir portas onde antes havia paredes, encontrar oportunidades onde outros viram fechamento.
O pulso firme com Minas
Minas Gerais não foi escolha ao acaso. O estado é um gigante produtor — de minério, de café, de leite, de gente trabalhadora. Lula sabe disso melhor que ninguém. Sua vinda aqui é um recado: o governo federal está de olho no interior do país, não só no eixo Rio-São Paulo.
"Precisamos valorizar quem produz", enfatizou, rodeado de agricultores e empresários locais. O clima era de esperança renovada — daquela que aquece mesmo em dia frio de inverno mineiro.
O que esperar?
Os próximos meses devem ser de muito trabalho nos corredores do Itamaraty. Diplomatas já receberam a missão de prospectar novos acordos, especialmente com países da África e Ásia que andaram meio esquecidos nas relações comerciais brasileiras.
É uma aposta ousada. Arriscada, talvez. Mas necessária — principalmente num mundo cada vez mais multipolar onde alianças comerciais podem definir o futuro das nações.
Enquanto isso, aqui dentro, a pressão contra as altas tarifas deve continuar. Lula deixou claro que não vai baixar a guarda nesse assunto. "Enquanto eu for presidente, vou lutar para aliviar a carga do trabalhador."
Palavras que ecoam bem longe — até nos ouvidos de quem duvida que mudanças concretas virão. O tempo, como sempre, será o juiz final.