Lula assina MP do Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas
Lula assina MP do Desenrola 2.0 para renegociação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (4/5) a Medida Provisória do Novo Desenrola Brasil, também conhecido como Desenrola 2.0. O pacote de medidas visa a renegociação de dívidas e ocorre em um momento crítico: em março, o Brasil atingiu 82,8 milhões de endividados, o maior número de inadimplentes em toda a série histórica da avaliadora de crédito Serasa.

Contexto e objetivo do programa

“Estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente”, disse Lula no lançamento do programa, referindo-se à população que se endividou durante a pandemia de covid-19 e ainda não conseguiu se recuperar. Uma das principais medidas é a liberação de parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas.

Público-alvo

O programa é voltado para pessoas que ganham até cinco salários-mínimos mensais, ou seja, R$ 8.105. Podem ser renegociadas dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Principais medidas do Desenrola 2.0

1. Uso do FGTS para quitar dívidas

Na primeira etapa do Desenrola Brasil, iniciada em julho de 2023, o foco era débitos bancários de pessoas com renda mensal bruta de até R$ 20 mil. Agora, uma das novidades é a possibilidade de usar parte do FGTS para quitar a dívida. O trabalhador poderá usar 20% do saldo da conta para pagar parcial ou integralmente as dívidas. O valor total resgatado pode chegar a R$ 8,2 bilhões. Para garantir que os recursos sejam usados para quitação, a Caixa Econômica Federal fará a transferência do FGTS diretamente para o banco onde o trabalhador tem débitos.

2. Bloqueio em casas de apostas

Os descontos para renegociação variam de 30% a 90%, dependendo da linha de crédito e do prazo. A taxa de juros máxima é de 1,99% ao mês, com até 48 meses para pagar. O limite da nova dívida (após descontos) é de no máximo R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira. Os bancos podem aderir voluntariamente ao programa. Como contrapartida, o endividado terá o CPF bloqueado em casas de apostas por 12 meses.

3. Fundo com “dinheiro esquecido”

Para oferecer garantias às instituições financeiras participantes, o governo prevê utilizar recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Será feito um aporte de R$ 5 bilhões, somados aos R$ 2 bilhões já disponíveis no fundo. Além disso, serão utilizados entre R$ 5 e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos, como devolução de tarifas cobradas indevidamente e contas encerradas com saldo. O Ministério da Fazenda publicará um edital para que interessados possam reclamar os recursos em 30 dias; o que não for reclamado irá para o FGO. Na primeira edição do Desenrola (2023-2024), foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas.

4. Dívida estudantil (Fies)

Esta edição do Desenrola foi dividida em quatro categorias: famílias, estudantes (Fies), empresas e agricultores rurais. Para o Fies, as dívidas foram classificadas conforme o tempo de atraso:

  • Dívidas vencidas e não pagas há mais de 90 dias: pagamento à vista com desconto de 12% da dívida, além de isenção total de juros e multas. Para parcelamento, é possível dividir em até 150 vezes com isenção de juros e multas.
  • Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias (estudantes fora do CadÚnico): desconto de até 77% do valor total, com liquidação integral do saldo devedor.
  • Dívidas vencidas e não pagas há mais de 360 dias (estudantes do CadÚnico): desconto de até 99% do valor total, com liquidação integral do saldo devedor.

O governo prevê beneficiar mais de 1 milhão de estudantes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

5. Condições para empresas

Para microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, o programa concede carência para início do pagamento das parcelas de até 24 meses (antes era 1 ano). O prazo máximo de quitação subiu de 72 para 96 meses, e a tolerância no atraso para concessão de novos créditos passou de 14 para 90 dias. O valor total do crédito aumentou de 30% do faturamento (teto de R$ 150 mil) para 50% (teto de R$ 180 mil). Para empresas lideradas por mulheres, o limite sobe para 60% do faturamento (teto de R$ 180 mil). Para micro e pequenas empresas (faturamento anual até R$ 4,8 milhões), as alterações são as mesmas, com aumento do valor total do crédito de R$ 250 mil para R$ 500 mil.