Gilberto Kassab sinaliza possível saída do governo de São Paulo para focar em eleições do PSD
O secretário estadual de Governo da gestão Tarcísio de Freitas, Gilberto Kassab (PSD), indicou nesta sexta-feira (30) que pode deixar o Palácio dos Bandeirantes devido às demandas do ano eleitoral para seu partido, do qual é o presidente nacional. Durante evento na Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Ancham), Kassab afirmou que ainda vai conversar com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para acertar os detalhes da possível saída.
Conversa com Tarcísio e flexibilidade na decisão
Em suas declarações, Kassab demonstrou uma postura flexível em relação à sua permanência no governo. “Acho que sim [deixarei o governo]. Mas isso é uma conversa que vou ter com o governador Tarcísio. Posso deixar ou não deixar. Não tenho projeto pessoal, estou muito integrado ao governador Tarcísio e na hora certa nós vamos ver onde eu posso atuar melhor”, disse o secretário. Ele destacou que as questões partidárias têm consumido muito do seu tempo, embora tenha conseguido compatibilizá-las até agora. “Tem essa questão partidária que me consome muito tempo. Eu tenho conseguido compatibilizar, mas vamos ver se nas eleições eu consigo [continuar] a compatibilizar. Posso até sair, mas posso ficar. Não tem nenhum problema”, completou.
Interesse em vice na chapa de reeleição de Tarcísio
Questionado sobre o interesse em ser vice na chapa que disputará a reeleição ao governo de São Paulo no pleito de outubro, Kassab afirmou que “seria um privilégio grande” ser o colega de chapa de Tarcísio em 2026. Ele explicou que a escolha dos candidatos ao Senado e do vice será coordenada pelo governador, com participação do partido. “A vice, como eu disse agora há pouco, assim como os candidatos ao Senado, ele [Tarcísio] é quem vai coordenar. Evidente que o partido vai participar da chapa majoritária, mas sob o comando dele. Ele terá a liberdade de fazer essa escolha, como líder da coligação. Vamos aguardar o encaminhamento, mas seria um privilégio grande [ser o vice]”, avaliou. Kassab também ressaltou que, embora não seja obstinado por cargos, teria alegria com tal oportunidade. “Na vida pública, aqueles que não são obstinados por nenhum cargo, como no meu caso, eu falar que não teria alegria com esse privilégio, é claro que eu teria. Mas não é nenhuma obstinação ou fonte de desejo”, disse.
Trajetória política e criação do PSD
Formado em engenharia civil e economia, Gilberto Kassab ganhou notoriedade na vida pública nos anos 2000, quando foi vice-prefeito de São Paulo na chapa do ex-prefeito José Serra (PSDB). Com a saída de Serra para candidatar-se à Presidência da República em 2006, Kassab – então filiado ao antigo PFL – assumiu a prefeitura da capital, ocupando o cargo por sete anos, até 31 de dezembro de 2013. Antes disso, ele havia sido deputado federal por duas vezes e secretário de Planejamento do prefeito Celso Pitta (PP).
A experiência na Prefeitura de São Paulo levou Kassab a criar seu próprio partido político, o PSD, que atualmente é a sigla com o maior número de prefeitos no estado de São Paulo e no Brasil. Nos bastidores da política paulista, aliados de Kassab afirmam que ele sempre desejou ser governador de São Paulo, e ser vice na chapa de uma eventual reeleição de Tarcísio poderia ser um atalho estratégico, considerando que o atual governador pode ser candidato à Presidência em 2030, caso seja reeleito neste ano.
Contexto eleitoral e movimentações na direita
Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas reiterou na quinta-feira (29) o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência em outubro, defendendo que sua prioridade é a reeleição ao governo do estado. Tarcísio fez essas declarações após visitar Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha, em Brasília. O encontro ocorreu em meio a discussões sobre candidaturas de direita nas eleições presidenciais de 2026. Tarcísio afirmou que seu interesse é permanecer em São Paulo, mantendo coerência com seu comprometimento com o estado.
Na mesma semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua desfiliação do União Brasil e migrou para o PSD, partido de Kassab. Caiado já manifestou diversas vezes a vontade de ser o candidato da direita em 2026. Além dele, o PSD tem outros nomes com interesse na disputa presidencial, como os governadores do Paraná, Ratinho Junior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Questionado sobre o movimento de Caiado, Tarcísio disse que o assunto foi discutido na visita a Bolsonaro, que viu com bons olhos a mudança, considerando-a uma soma ao projeto contra o PT.
Essas movimentações destacam a dinâmica política em São Paulo e no cenário nacional, com Kassab equilibrando suas funções no governo estadual e no partido, enquanto Tarcísio consolida sua posição para a reeleição e articula alianças na direita.