Haddad confirma indicação de Guilherme Mello para diretoria do Banco Central
Haddad confirma indicação de Guilherme Mello para o BC

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou publicamente nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, que indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome de Guilherme Mello para ocupar uma das vagas abertas na diretoria do Banco Central. A declaração foi feita durante uma entrevista exclusiva à rádio BandNews, onde Haddad detalhou o processo e expressou insatisfação com o vazamento prévio da informação para a imprensa.

Indicação feita há três meses e decisão pendente

Segundo o ministro, a indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi formalizada há aproximadamente três meses. Haddad enfatizou que, desde então, não retomou as conversas com o presidente sobre o assunto. Ele mencionou que, há três semanas, Lula sinalizou que chamaria a equipe para discutir a nomeação, mas ainda não tomou uma decisão definitiva.

Crítica ao vazamento e defesa da indicação

Durante a entrevista, Fernando Haddad não poupou críticas ao vazamento do nome de Guilherme Mello para a mídia. "O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou. Se quis atrapalhar uma sugestão, ela agiu mal para os envolvidos", afirmou o ministro. Essa declaração reflete a preocupação com a transparência e o sigilo necessários em processos de nomeação para cargos estratégicos como o do Banco Central.

Quem é Guilherme Mello, o indicado de Haddad

Guilherme Mello é um economista com uma trajetória acadêmica e profissional sólida, ocupando o cargo de secretário de Política Econômica desde 2023. Suas responsabilidades incluem:

  • Elaboração de projeções macroeconômicas para o governo federal.
  • Coordenação de estudos que subsidiam a política econômica nacional.
  • Supervisão de análises sobre o desempenho da economia brasileira.

Formação acadêmica e experiência profissional

Mello possui uma formação diversificada e de alto nível, com as seguintes credenciais:

  1. Graduação em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
  2. Graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).
  3. Mestrado em Economia Política pela PUC-SP.
  4. Doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Na área acadêmica, atuou como professor no Instituto de Economia da Unicamp, onde também exerceu funções de liderança, incluindo a direção do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon) e a coordenação do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico. Antes de ingressar no Ministério da Fazenda, participou ativamente de grupos técnicos de formulação econômica e integrou a equipe de transição do atual governo, demonstrando um compromisso profundo com o planejamento e a execução de políticas públicas.

Contexto político e econômico da indicação

A indicação de Guilherme Mello ocorre em um momento crucial para a economia brasileira, com o Banco Central desempenhando um papel central na definição de taxas de juros e na estabilidade monetária. A escolha reflete a busca por alinhamento entre a política fiscal, conduzida pelo Ministério da Fazenda, e a política monetária, gerida pelo BC. A nomeação, se confirmada, poderá influenciar diretamente as decisões futuras do banco, impactando setores como inflação, investimentos e crescimento econômico.

Enquanto aguarda a decisão final do presidente Lula, o mercado financeiro e analistas políticos acompanham de perto os desdobramentos, avaliando as implicações dessa possível mudança na diretoria do Banco Central. A transparência no processo e a qualificação dos indicados são fatores-chave para a confiança na gestão econômica do país.