Governo zera impostos federais sobre diesel e taxa exportações de petróleo no Brasil
Governo zera impostos sobre diesel e taxa exportações de petróleo

Governo federal anuncia medidas para conter alta do diesel no Brasil

O governo brasileiro decidiu zerar os impostos federais sobre o óleo diesel e implementar uma taxação sobre as exportações de petróleo, em uma tentativa de conter o avanço dos preços do combustível que impacta diretamente a economia nacional. As medidas, anunciadas nesta quinta-feira (12), incluem a eliminação dos tributos PIS e Cofins, representando uma redução de R$ 0,32 por litro, além de um subsídio adicional de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores.

Impacto limitado e investigações em curso

Associações do setor avaliaram que essas medidas têm efeito limitado, enquanto Procons foram acionados em várias cidades do país para apurar denúncias de aumentos abusivos nos postos de combustível. Lucas Henry Maier, diretor de logística de uma transportadora de Anápolis, em Goiás, com frota de 40 caminhões, relatou que o quilômetro rodado subiu R$ 0,75: "A maior parte do custo operacional hoje de uma transportadora é o custo do diesel. Há duas semanas, estávamos pagando em média R$ 5,59 o litro. Hoje, já atingimos patamares de até R$ 7,50 o litro".

A Secretaria Nacional do Consumidor solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica que investigue os recentes aumentos nos preços, mesmo sem alterações nos valores praticados pela Petrobras. A medida provisória publicada estabelece multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões para postos e distribuidoras que aumentarem os preços de forma abusiva.

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Taxação de exportações e compensação fiscal

Para compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 30 bilhões, o governo anunciou a taxação em 12% das exportações de petróleo. O objetivo é evitar que produtores prefiram vender petróleo para o mercado externo, especialmente em um momento em que o barril ultrapassou os US$ 100. Fernando Haddad, ministro da Fazenda, destacou a importância do diesel para a economia brasileira: "A maior pressão que o mercado de combustível sofre hoje vem exatamente do diesel, não da gasolina. Todo o escoamento da produção é feito por caminhões a diesel. Todo o plantio é feito com maquinário agrícola que usa diesel. Quer dizer, o diesel é um elemento importante da economia brasileira".

Críticas e incertezas do setor

O economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter. B Consultoria, alertou sobre a volatilidade do preço do petróleo: "O governo vai ter muito pouco espaço para aumentar subvenção ou tomar outras medidas, inclusive porque nós não sabemos se a receita esperada por conta desse aumento em 12% dos impostos de importação será suficiente ou não para cobrir o custo das medidas".

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis considerou a medida necessária, mas criticou a taxação para exportadores. Sérgio Araújo, presidente-executivo da Abicom, afirmou: "Ela poderia ser financiada pelo excedente de receita de royalties e não pela taxação de petróleo. Não acho que isso é uma boa medida, uma vez que acaba penalizando e mudando condições econômicas de investimentos que já foram realizados para a produção de petróleo".

Reunião com distribuidoras e perspectivas futuras

A Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis avaliou que os efeitos das medidas serão sentidos apenas sobre o diesel, e que serão necessárias outras ações no futuro para reduzir o custo do setor e estimular a concorrência. As distribuidoras foram convocadas para uma reunião com o governo no fim da tarde desta quinta-feira, onde, segundo informações oficiais, comprometeram-se a colaborar para que o desconto de R$ 0,64 por litro chegue efetivamente ao consumidor final.

As medidas do governo ocorrem em um contexto de tensões no Oriente Médio, que têm impactado os preços internacionais do petróleo e, consequentemente, os custos dos combustíveis no Brasil. A situação exige monitoramento constante, pois a eficácia das ações anunciadas dependerá da evolução do cenário global e da resposta do mercado interno.

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