Governo brasileiro cumpre meta fiscal de 2025 com superávit primário em dezembro
Contrariando as projeções mais pessimistas do mercado financeiro, o Governo Central registrou um superávit primário de R$ 13,7 bilhões em dezembro de 2025, conforme dados coletados pelo SIGA-Brasil, Warren Investimentos e Renascença DTVM. Esse resultado foi crucial para garantir o cumprimento da meta fiscal estabelecida para o ano, que apresentou um déficit de R$ 66,570 bilhões, equivalente a -0,53% do PIB.
Detalhes do resultado fiscal e projeções do mercado
O relatório da Warren Investimentos, assinado pelo economista Felipe Santo, aponta que, após aplicadas as deduções legais de R$ 44,5 bilhões (0,35% do PIB), o déficit para verificação da meta ficou em R$ 22,1 bilhões (0,17% do PIB). Esse valor está significativamente abaixo das expectativas iniciais do mercado, que em abril previram um déficit primário de 0,8% do PIB para 2025 e 2026. O resultado consolidado do déficit público, incluindo contas de estados, municípios e despesas com juros, será divulgado pelo Banco Central em 30 de janeiro.
Análise das receitas e despesas em 2025
Em 2025, a arrecadação total do governo somou R$ 2.894,1 bilhões, com um aumento nominal de 8% e real de 2,9%, após descontar a inflação de 4,26% medida pelo IPCA. As receitas administradas pela Receita Federal totalizaram R$ 1.858,2 bilhões (alta real de 4,7%), enquanto as receitas previdenciárias chegaram a R$ 707,7 bilhões (crescimento real de 5,1%).
No entanto, as despesas totais alcançaram R$ 2.393,4 bilhões, com um aumento real de 3,3%, superando as receitas líquidas de R$ 2.323,3 bilhões (crescimento real de 2,4%). As principais despesas incluem:
- Gastos previdenciários: R$ 1.026,8 bilhões (aumento real de 4,1%)
- Despesas de pessoal e encargos: R$ 402,7 bilhões (alta real de 4,4%)
- Outras despesas obrigatórias: R$ 390,9 bilhões (crescimento real de 3,8%)
- Despesas discricionárias: R$ 204,1 bilhões (aumento real de 5,7%)
Projeções do FMI para a economia global e brasileira
O Fundo Monetário Internacional divulgou suas projeções de inverno, indicando que o PIB mundial deve crescer 3,3% em 2026 e desacelerar para 3,2% em 2027. Para o Brasil, as estimativas são de um crescimento abaixo da média global: 2,5% em 2025, 1,6% em 2026 e 2,6% em 2027. Em comparação, países como a Índia devem manter taxas elevadas, enquanto a Argentina projeta crescimentos superiores aos do Brasil.