Flávio Bolsonaro enfrenta divergências na escolha de ministro da Economia para possível governo
Flávio Bolsonaro tem divergências na escolha de ministro da Economia

Flávio Bolsonaro enfrenta disputa interna na definição de ministro da Economia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que anunciará em breve seu ministro da Economia para um eventual governo, mas a escolha tem gerado tensões entre seus aliados. Enquanto alguns defendem nomes ligados ao mercado financeiro, outros preferem figuras mais ideológicas e alinhadas com uma agenda anti-Lula (PT).

Nomes em cogitação e as críticas dos bolsonaristas

Entre os cotados para o cargo estão personalidades que mantêm contato com Flávio ou sua equipe, contribuindo com ideias para o programa de governo. A lista inclui:

  • Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, atual vice-chairman do Nubank e colunista da Folha de S.Paulo.
  • Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e braço-direito do ex-ministro Paulo Guedes.
  • Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES.
  • Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional.
  • Paulo Guedes, ex-ministro da Economia no governo Jair Bolsonaro.

No entanto, bolsonaristas próximos ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) expressaram descontentamento com a possibilidade de um nome liberal, visto como mais palatável ao centrão. Eles argumentam que a chamada Faria Lima tem interesses próprios e poderia influenciar a indicação, preferindo um ministro com lealdade a Flávio e uma postura mais combativa.

Divergências ideológicas e a busca por equilíbrio

Para a ala mais ideológica, seria ideal escolher um político do grupo, como Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia, conhecido por suas críticas ao STF e ao governo Lula. Essa facção acredita que os liberais são pragmáticos e podem abraçar qualquer governo, enquanto os ministros de Flávio deveriam priorizar uma agenda anti-petista.

Por outro lado, parte dos interlocutores de Flávio e integrantes da cúpula do PL defendem um nome já conhecido e com credibilidade, para dar segurança ao mercado financeiro e à classe política. Eles argumentam que, diferentemente de Bolsonaro e Lula, que governaram para suas bases, Flávio precisa conquistar outros públicos, e um perfil como o de Paulo Guedes poderia ser um diferencial eleitoral.

Estratégia de campanha e foco fiscal

Flávio Bolsonaro tem demonstrado intenção de moderar o discurso para atrair o eleitorado de centro, o que inclui um aceno ao mercado financeiro. Em fevereiro, ele disse a correligionários que pretende apresentar um nome que agrade ao setor, com capacidade para equilibrar as contas públicas.

O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), elogiou Campos Neto, mas o economista já sinalizou que não pretende retornar a cargos públicos. Marinho destacou que um eventual governo Flávio deve propor uma nova regra fiscal, criticando a atual política expansionista como causa das altas taxas de juros.

O plano de governo será lançado em 30 de março, com diretrizes para economia, educação, segurança hídrica e terras indígenas. Enquanto isso, a equipe busca minimizar as desavenças internas, afirmando que Flávio tem a qualidade de ouvir todas as opiniões e que sua escolha final será respeitada.