A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11 de março de 2026), revela um cenário eleitoral extremamente competitivo e polarizado a apenas seis meses das eleições presidenciais. O levantamento encomendado pela Genial Investimentos e realizado entre 6 e 9 de março com 2.004 entrevistados apresenta dados que indicam mudanças significativas no panorama político brasileiro.
Empate histórico no segundo turno
Pela primeira vez na série histórica da consultoria Quaest, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem numericamente empatados em um cenário de segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto. Esta igualdade representa uma mudança drástica em relação aos meses anteriores, quando Lula mantinha vantagem consistente sobre o pré-candidato bolsonarista.
Os números mostram uma trajetória de aproximação gradual: em dezembro de 2025, a diferença era de dez pontos percentuais a favor de Lula, reduzindo-se para sete pontos em janeiro, cinco pontos em fevereiro e finalmente desaparecendo completamente na pesquisa atual. Na medição anterior, realizada em fevereiro, Lula registrava 43% contra 38% de Flávio Bolsonaro.
Panorama do primeiro turno
Nos diferentes cenários de primeiro turno testados pela Quaest com oito pré-candidatos, Lula mantém intenções de voto entre 36% e 39%, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 30% e 35%. Outros nomes aparecem com percentuais significativamente menores: Ratinho Júnior (PSD) tem 7%, Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD) aparecem com 3% cada.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, destaca que "o empate entre os dois principais competidores a seis meses da eleição reforça a tese de uma polarização cristalizada no país". O analista observa que Flávio Bolsonaro tem conseguido monopolizar o eleitorado bolsonarista desde que foi anunciado como pré-candidato pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro passado.
Mudanças significativas no eleitorado independente
Outro dado inédito da pesquisa mostra Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula entre os eleitores que se consideram independentes. Nesse segmento que corresponde a 32% do eleitorado total, Flávio tem 32% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula registra 27%. Vale ressaltar que, por se tratar de um recorte específico do eleitorado, a margem de erro é maior neste caso.
Entre os eleitores declaradamente lulistas, Lula alcança impressionantes 95% de apoio, enquanto Flávio Bolsonaro registra 96% entre os bolsonaristas, demonstrando a forte lealdade das bases de ambos os campos.
Piora na avaliação do governo e percepção econômica
A pesquisa Quaest revela uma deterioração significativa na avaliação do governo Lula. Atualmente, 51% dos entrevistados desaprovam o trabalho do presidente, enquanto 44% aprovam sua gestão. Este é o pior resultado de aprovação desde julho de 2025, segundo Felipe Nunes.
A diferença entre desaprovação e aprovação vem aumentando consistentemente: era de apenas um ponto percentual em dezembro, passou para dois pontos em janeiro, quatro em fevereiro e agora chega a sete pontos em março.
Pessimismo econômico crescente
Os indicadores econômicos também mostram tendência negativa. Quase metade dos brasileiros (48%) afirma que a economia piorou nos últimos doze meses, enquanto apenas 24% percebem melhora. A expectativa para os próximos doze meses também se deteriora: 41% acreditam que a economia melhorará (contra 43% em fevereiro), enquanto 34% preveem piora (ante 29% no mês anterior).
Nunes aponta três fatores principais para essa mudança: noticiário mais negativo, piora na percepção da economia e pouco efeito da isenção do Imposto de Renda. O diretor da Quaest observa que apenas 31% dos brasileiros afirmam ter sido beneficiados pela nova tabela do IR, indicador que praticamente não mudou em relação ao mês anterior.
Mudanças nas preocupações nacionais e rejeições
A pesquisa mostra alterações significativas nas principais preocupações dos brasileiros. A corrupção aparece agora na segunda posição (20%), atrás apenas da violência (27%) e ultrapassando os problemas sociais (18%). Este movimento coincide com novos desdobramentos do escândalo do Banco Master e das investigações sobre fraudes no INSS.
Na batalha das rejeições, ocorre uma virada significativa: pela primeira vez, o temor pela continuidade do governo Lula supera numericamente o medo do retorno da família Bolsonaro ao poder. Quando questionados sobre o que dá mais medo, 43% citam mais um governo Lula, enquanto 42% mencionam a volta da família Bolsonaro.
Lula atinge seu pior desempenho de potencial de voto na série histórica (41%) e a maior rejeição entre os possíveis candidatos (56%). Flávio Bolsonaro também apresenta alta rejeição (55%), demonstrando que ambos os principais pré-candidatos enfrentam significativa resistência do eleitorado.
A pesquisa Quaest foi realizada com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o território nacional, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os dados reforçam o cenário de disputa acirrada que se desenha para as eleições de outubro de 2026.



