Gasto com diárias de deputados sobe 78% em 2025, liderado por destinos internacionais
Diárias de deputados sobem 78% em 2025, com foco em viagens internacionais

Os gastos da Câmara dos Deputados com diárias para alimentação e hospedagem de parlamentares em viagens oficiais registraram um aumento expressivo de 78% no primeiro ano da gestão do presidente Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba. Em valores absolutos, a despesa saltou de R$ 2,1 milhões em 2024 para R$ 3,8 milhões em 2025, sem considerar a inflação do período, que ficou em torno de 5%.

Aumento no número de beneficiários e destinos internacionais

Dados compilados e obtidos pela Folha de S.Paulo revelam que, em 2025, 202 dos 513 deputados federais solicitaram o benefício das diárias, um crescimento significativo em relação aos 153 parlamentares no ano anterior. Consequentemente, o total de diárias concedidas também subiu, passando de 876 para 1.482.

Entre os destinos mais frequentes, destacam-se cartões postais internacionais como Londres, Roma, Genebra, Nova York e Buenos Aires. Curiosamente, nenhuma cidade brasileira aparece no ranking dos dez principais locais visitados. Lisboa, palco do evento conhecido como Gilmarpalooza – um fórum jurídico liderado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes –, lidera a lista, com 42 deputados recebendo diárias para a capital portuguesa em 2025, ante 33 no ano anterior.

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Justificativas dos parlamentares para as viagens

Os deputados consultados apresentaram diversas razões para as missões oficiais. Cláudio Cajado, do PP da Bahia, por exemplo, recebeu R$ 40 mil para passagens ao Uzbequistão e R$ 12 mil em diárias para participar da assembleia da União Interparlamentar. Ele argumenta que sua atuação na Comissão de Relações Exteriores e como vice-presidente do Brasil na organização exige presença para debater e votar matérias de interesse nacional.

Murilo Galdino, do Republicanos da Paraíba, que recebeu R$ 55 mil em diárias – o quarto maior valor em 2025 –, justificou as viagens como necessárias para presidir a Comissão Especial da Nova Lei dos Portos, enfatizando a transparência e o propósito institucional dos gastos.

Contexto político e ajustes nos valores

O presidente Hugo Motta atribui o aumento das despesas ao crescente apelo pela diplomacia parlamentar e ao maior protagonismo do Congresso Nacional em fóruns internacionais. Ele citou a presidência do P20 (G20 dos Parlamentos) em 2024 e do Fórum Parlamentar do Brics em 2025 como fatores que elevam a demanda por contatos externos.

Em abril de 2024, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, do PP de Alagoas, reajustou os valores das diárias em 60%. Para viagens na América do Sul, o valor passou para US$ 391 (cerca de R$ 2.040); para outros países, US$ 428 (aproximadamente R$ 2.233); e para viagens nacionais, R$ 842. O presidente da Casa recebe valores superiores: US$ 428, US$ 550 (por volta de R$ 2.869) e R$ 981, respectivamente.

Casos específicos e transparência

Outros parlamentares também relataram suas atividades. Pedro Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, destacou que, como relator da reforma administrativa, recebe muitos convites e prefere que a Câmara custeie as passagens para evitar patrocínios privados, em uma escolha de compliance. Zé Vitor, do PL de Minas Gerais, recordista de viagens em 2024, afirmou que suas missões estão ligadas à Frente Parlamentar do Etanol e à Comissão de Meio Ambiente, incluindo participação na COP 29 no Azerbaijão.

Lucio Mosquini, do MDB de Rondônia, teve o terceiro maior gasto em 2024, com R$ 37 mil, justificando as viagens por seu cargo na Mesa Diretora. Já Bia Kicis, do PL do Distrito Federal, recebeu R$ 36 mil em diárias e R$ 22 mil em passagens para eventos como a eleição de Donald Trump nos EUA, alegando atuação na defesa dos direitos humanos.

O deputado João Carlos Bacelar, do PL da Bahia, segundo maior gastante em 2024 e terceiro em 2025, foi procurado, mas não se manifestou sobre os valores.

Este cenário evidencia um debate sobre a eficiência e a necessidade das viagens parlamentares, com críticas ao aumento dos custos em um contexto de pressões orçamentárias e demandas por maior fiscalização dos gastos públicos.

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