Direita articula aliança para presidência do Senado com foco em impeachment de ministros do STF
Partidos do espectro político de direita, incluindo PL e Novo, estão em negociações embrionárias para formar uma aliança estratégica nas eleições para a Presidência do Senado em 2027. O objetivo central é eleger um parlamentar que se comprometa a promover processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma iniciativa considerada polêmica mas que reflete a crescente insatisfação pública com o Poder Judiciário.
Candidatos alinham plataformas eleitorais com crítica ao Supremo
Diversos pré-candidatos ao Senado já incorporaram em suas plataformas eleitorais a defesa do impeachment de juízes do STF como mecanismo para reequilibrar os poderes da República. Entre os nomes que adotam essa bandeira estão Marcel van Hatten (Novo-RS), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Caroline de Toni (PL-SC), Eduardo Gayer (PL-GO), Delegado Éder Mauro (PL-PA) e Carlos Bolsonaro (PL-SC), segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa estratégia política encontra respaldo em pesquisas de opinião pública. Um levantamento do Meio/Ideia divulgado na quarta-feira, 8 de abril de 2026, revela que 42,5% dos brasileiros consideram a concentração de poder no Judiciário como a principal ameaça à democracia, percentual significativamente superior a outras fontes históricas de insatisfação, como a corrupção política, que aparece com 16,5%.
Lideranças partidárias defendem postura mais firme contra o STF
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou à revista VEJA que "o impeachment de ministros do STF é uma bandeira bastante estabelecida" dentro do partido, acrescentando que as críticas ao Supremo ultrapassaram bolhas ideológicas. Ribeiro destacou que o partido trabalhará para alcançar maioria no Senado após as eleições de 2027, que renovarão dois terços da Casa, e buscará composições políticas necessárias para viabilizar a agenda.
A deputada Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado em dobradinha com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reforçou esse posicionamento: "As pessoas estão cansadas não só dessa corrupção no Judiciário, mas também da covardia que impera hoje no Congresso Nacional. Então, o que as pessoas querem são homens e mulheres de coragem no Senado". Ela defende a eleição de um presidente do Senado que "no dia seguinte dá encaminhamento a um pedido de impeachment".
Contexto turbulento no Supremo e no Senado
O movimento político ocorre em um momento particularmente conturbado para o STF e o Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou aos senadores o nome do advogado-geral da União Jorge Messias para preencher a 11ª vaga de ministro do Supremo, quase cinco meses após o anúncio pelo Palácio do Planalto. Cabe ao Senado, que enfrenta suas próprias turbulências com o escândalo do Banco Master, avaliar a indicação.
O escândalo do Master adiciona complexidade ao cenário, com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, negociando um acordo de delação premiada que pode incriminar políticos do Centrão, antigos auxiliares do presidente Lula e, em um capítulo à parte, detalhar relações comerciais e pessoais com pelo menos dois ministros da Suprema Corte: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Este último, antigo relator das investigações contra o banco no STF, possuía participação em empresa que administrava resort da família e recebeu 35 milhões de reais de fundo ligado a Vorcaro.
Os dois ministros nunca prestaram explicações aos demais magistrados sobre as relações e pagamentos recebidos dos cofres do Master, alimentando críticas sobre transparência e conduta no mais alto tribunal do país.
O ministro aposentado do Supremo e ex-presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, resume a situação com uma máxima que ecoa nos corredores do poder: "bater no Supremo dá voto". Esta percepção parece orientar a estratégia de partidos de direita que buscam capitalizar o descontentamento popular com o Judiciário em um ano eleitoral crucial para a composição do Senado Federal.



