Desafios Eleitorais de Lula na Bahia e Ceará Vão Além dos Governadores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta complexos dilemas eleitorais na Bahia e no Ceará, dois dos maiores colégios eleitorais do Nordeste. As disputas por vagas no Senado e a formação de alianças testam sua capacidade de manter a hegemonia política na região, com negociações delicadas envolvendo aliados históricos.
Bahia: Chapa Pura e Negociações Tensas com o PSD
Na Bahia, as lideranças petistas anunciaram uma chapa pura para as eleições deste ano. O governador Jerônimo Rodrigues busca a reeleição, enquanto o senador Jaques Wagner também tenta renovar seu mandato. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, ocuparia a segunda vaga ao Senado, com a única coloração partidária diferente vindo do vice-governador Geraldo Júnior, do MDB.
Essa equação deixa de fora o senador Angelo Coronel, do PSD, cujo mandato está prestes a se esgotar. Sob o comando de Otto Alencar no estado, o PSD tem sido aliado do PT e de Lula desde a primeira eleição de Jaques Wagner ao Palácio de Ondina, em 2006.
Jaques Wagner propôs como possível solução acomodar Coronel como primeiro suplente de um dos dois candidatos petistas. A ideia conta com a expectativa de que um deles seria nomeado ministro em um eventual segundo mandato de Lula, abrindo espaço para o aliado do PSD assumir a titularidade no Senado.
No entanto, pela quantidade de condicionantes que precisariam se concretizar, a proposta dificilmente será bem recebida por Coronel e Alencar. A dupla deve lembrar que o PSD elegeu, em 2024, os prefeitos de 115 dos 417 municípios da Bahia, palanques locais vistos como essenciais no tabuleiro político nacional.
Ceará: Três Nomes Disputando Duas Vagas no Senado
No Ceará, além do governador petista Elmano de Freitas aparecer bem atrás do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, do PSDB, nas pesquisas de intenção de voto, há três nomes disputando duas vagas ao Senado na chapa majoritária.
Os candidatos são três deputados federais:
- O ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, do MDB
- O líder do governo na Câmara, José Guimarães, do PT
- Junior Mano, do PSB, apadrinhado pelo senador Cid Gomes
Se a candidatura de Eunício for confirmada, é praticamente certo que o MDB seria forçado a abrir mão da vice na chapa das eleições deste ano, já que a atual detentora do posto, Jade Romero, também integra os quadros do partido.
Em qualquer cenário, Lula precisará calcular se seu palanque cearense ficará mais forte ocupando duas das quatro vagas com petistas ou contemplando eventualmente uma quarta legenda na composição.
Conclusão: Dilemas que Definem o Cenário Eleitoral
Os dilemas para Lula na Bahia e no Ceará não se resumem apenas à desconfiança com a capacidade dos governadores petistas Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas garantirem a vantagem numérica histórica. As disputas por vagas no Senado e a formação de alianças testam sua habilidade política em manter a hegemonia no Nordeste, com chapas puras e negociações delicadas definindo o cenário para as próximas eleições.