IBGE em clima de tensão: coordenadores temem novas retaliações após exonerações
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma situação de clima muito ruim e crescente apreensão entre seus coordenadores e gerentes. A tensão se intensificou nos últimos dias, com servidores temendo possíveis retaliações por parte da direção do instituto.
Exonerações e solidariedade agravam crise
Quatro dias após a exoneração de Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais, o ambiente no IBGE se tornou ainda mais pesado. Cristiano Martins, que atuava como vice de Rebeca e assumiu interinamente o cargo para a transição, pediu exoneração nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026.
Segundo uma fonte próxima ao assunto, a saída de Cristiano Martins foi uma resposta em solidariedade à Rebeca e um reflexo do clima tenso vivido no instituto. O cargo de coordenador de contas nacionais é de extrema importância, pois é responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Afastamento da gestão e plano de trabalho fora do Rio
A direção do IBGE está lançando o plano de trabalho para 2026 fora do Rio de Janeiro, cidade onde trabalha a maior parte dos servidores e onde estão localizados os coordenadores e gerentes. Essa decisão, conforme a fonte, reforça o afastamento da gestão em relação aos profissionais e contribui para o clima pesado no instituto.
O Rio de Janeiro é um polo estratégico para as operações do IBGE, e a mudança no local de apresentação do plano é vista como um sinal de distanciamento que preocupa os servidores.
Revisão das contas públicas e resistência interna
O IBGE atualmente trabalha na revisão das contas públicas, uma medida proposta pela gestão de Marcio Pochmann, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A atualização visa captar mudanças na economia relacionadas a transformações digitais e ao uso do meio ambiente.
No entanto, os coordenadores do instituto repudiaram as mudanças em uma carta pública. No documento, eles afirmaram que as decisões recentes da direção do IBGE colocam em risco a soberania geoestatística brasileira.
Clima pesado e temores de piora
Desde a publicação da carta, o clima no IBGE se tornou ainda mais tenso. A demissão de Rebeca Palis foi interpretada como o primeiro ataque em um contexto de crescente conflito. De modo geral, muitos servidores temem uma piora do quadro, especialmente após a saída de Cristiano Martins.
A reportagem procurou o IBGE para comentários, mas não obteve retorno até o momento. A situação permanece em aberto, com incertezas sobre o futuro das relações internas e a condução dos trabalhos estatísticos no país.