Ciro Gomes sinaliza não apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026
O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, atualmente presidente do PSDB no estado, deu a entender que não apoiará o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, na disputa pela Presidência da República em 2026. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva em Fortaleza, após um encontro com representantes do setor produtivo cearense.
Alinhamento com a estratégia nacional do PSDB
Ciro Gomes justificou sua posição ao questionar: "Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido? O PSDB vai, nacionalmente, tomar a posição. O União Brasil vai, nacionalmente, tomar a posição". Essa fala reflete a estratégia do partido, que sob a presidência nacional do deputado Aécio Neves, busca se opor à polarização entre Lula e Bolsonaro e se fortalecer inicialmente conquistando cargos de governadores no máximo de estados possíveis em 2026.
O PSDB atualmente não tem um pré-candidato definido para a Presidência e está em um processo de reestruturação interna. Não apoiar Flávio Bolsonaro faz sentido nesse contexto, pois alinha-se com a tentativa de se distanciar dos extremos políticos e buscar uma posição mais centrada.
Negociações complexas no Ceará para o governo estadual
Enquanto sinaliza não apoiar Flávio Bolsonaro nacionalmente, Ciro Gomes negocia o apoio do PL cearense para disputar o governo do estado contra o petista Elmano de Freitas. Ele lidera as intenções de voto nessa corrida, mas a negociação enfrenta resistências internas no partido.
A negociação é encabeçada pelo deputado federal André Fernandes, do PL, mas encontra oposição da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também do partido. Michelle é contra o apoio a Ciro Gomes devido às críticas duras que o ex-ministro já fez à família Bolsonaro no passado.
Ciro Gomes admitiu estar dividido entre o "juízo" e o "coração" sobre ser candidato ao governo, mas sua liderança nas pesquisas e o interesse do PL local tornam a possibilidade real. Além dele, o PL também poderia apoiar a candidatura de direita do senador Eduardo Girão, do Novo, no Ceará.
Contradições e desafios na política cearense
O cenário político no Ceará é marcado por contradições. Por um lado, não apoiar Flávio Bolsonaro se alinha à estratégia nacional do PSDB, mas por outro, pode atrapalhar os planos de Ciro Gomes no estado, onde o apoio do PL é crucial para uma eventual vitória no Palácio da Abolição.
Um eventual apoio de Ciro Gomes aos Bolsonaro seria visto como contraditório, dada sua história de críticas à família. Isso explica a resistência de Michelle Bolsonaro e cria um impasse nas negociações locais.
Ciro Gomes retornou ao PSDB em outubro do ano passado e desde então tem trabalhado para fortalecer o partido no Ceará, buscando equilibrar as demandas nacionais com as necessidades estaduais em um ano eleitoral decisivo.