Pesquisa Quaest detalha percepção pública sobre Caso Master e seus reflexos políticos
As investigações do Caso Master, que atingem o coração financeiro da Faria Lima e suas conexões com o crime organizado, são vistas pela população como uma crise do sistema político brasileiro, mas com maior associação ao governo de Jair Bolsonaro do que à atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. É o que revela um detalhamento da pesquisa Quaest divulgado nesta quinta-feira, 12 de março de 2026.
Conhecimento público e alcance do escândalo
Segundo o levantamento, que ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre 6 e 9 de março, 65% dos entrevistados tiveram conhecimento da prisão de Daniel Vorcaro, figura central no caso. Além disso, 40% dos brasileiros afirmam que o escândalo do Banco Master afeta todas as instituições mencionadas na pesquisa:
- Supremo Tribunal Federal e Judiciário
- Governo anterior de Jair Bolsonaro
- Governo atual de Lula
- Banco Central
- Congresso Nacional
No entanto, quando questionados sobre qual entidade é mais impactada negativamente, os percentuais se distribuem de forma específica:
- 11% apontam o governo Bolsonaro como o mais afetado
- 10% citam a gestão atual de Lula
- 13% veem o STF como o principal prejudicado
- 5% mencionam o Banco Central
- 3% destacam o Congresso Nacional
Divergências ideológicas na percepção do caso
Felipe Nunes, CEO da Quaest, analisa que há diferenças significativas na percepção conforme o espectro político dos eleitores. "O eleitorado lulista e de esquerda enxerga efeito mais negativo para o governo Bolsonaro. O eleitorado bolsonarista e de direita vê mais efeitos negativos para o Supremo e o governo Lula. Mas os independentes, que moderam o debate, afirmam com convicção que o sistema inteiro sofre com o escândalo", explica Nunes.
Entre os autoproclamados "independentes" – grupo considerado crucial nas disputas eleitorais –, a percepção é que o caso afeta mais o governo Lula (9%) do que a gestão de Bolsonaro (4%). Essa visão reflete uma avaliação mais ampla e menos focalizada da crise por parte desse segmento.
Impacto eleitoral significativo
O estudo revela ainda que 67% dos entrevistados acreditam que o Caso Master terá impacto nas eleições de outubro. Desse total:
- 38% afirmam que vão evitar votar em qualquer candidato envolvido no escândalo
- 29% levarão em consideração o caso na hora de escolher seu candidato
Nunes destaca que "os mais engajados com o voto anti-master são os eleitores bolsonaristas (49%) e os eleitores de direita (42%). Nos independentes, que enxergam a crise mais ampla e não focalizada, 36% deixariam de votar em alguém envolvido com o escândalo Master".
Metodologia e confiabilidade da pesquisa
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-5809/2026. O nível de confiabilidade do estudo é de 95%, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, garantindo representatividade estatística para a população brasileira.
O Caso Master, que tem sido comparado a uma "Lava Jato 2.0" pela mídia liberal, continua a gerar repercussões políticas significativas, com a pesquisa Quaest oferecendo um retrato detalhado de como diferentes segmentos da sociedade percebem suas implicações e consequências eleitorais.



