Caso Banco Master esquenta cenário político em ano eleitoral
O ano eleitoral de 2026 promete intensificar os debates políticos no Brasil, mas atualmente o noticiário está dominado pelos desdobramentos do caso do Banco Master. Os estilhaços dessa crise financeira atingem instituições como o Banco Regional de Brasília e figuras políticas, incluindo o ministro-relator do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
Investigacões e impactos financeiros
As investigações do Banco Central e da Polícia Federal revelam transações complexas que resultaram em prejuízos bilionários. Daniel Vorcaro, dono do Master, tentou uma fusão com o banco do governo do Distrito Federal, vetada pelo BC em setembro. O rombo estimado ultrapassa R$ 12 bilhões, com indenizações que já somam mais de R$ 40 bilhões.
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) enfrenta pressão, especialmente após a liquidação do Will Bank. Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú, alertou para distorções no regulamento do FGC, sugerindo que instituições que venderam produtos do Master devem contribuir mais.
Economia e política em 2026: análise do Santander
O Departamento de Economia do Santander, liderado por Ana Paula Vescovi, traçou um panorama do cenário eleitoral. "O ano de 2026 consolida um novo contexto, com crescimento moderado e custo de capital mais elevado", afirma o relatório.
Fragmentação geopolítica e mudanças monetárias
Internacionalmente, a fragmentação geopolítica se torna permanente, afetando investimentos e comércio. O dólar norte-americano perde participação no sistema SWIFT, caindo para 46,7% em 2025, com tendência de queda frente ao euro, especialmente com o acordo Mercosul-União Europeia.
Reforma Tributária: impacto profundo nas empresas
A partir de 2026, o Brasil inicia a transição para o IVA, um sistema de impostos com crédito amplo. A reforma exigirá ajustes tecnológicos e financeiros nas empresas, com impactos setoriais distintos. Setores industriais podem ganhar eficiência, enquanto serviços enfrentarão pressão tributária.
Acordo Mercosul-UE: oportunidades e desafios
Se implementado, o acordo criará o maior mercado consumidor do mundo, com 720 milhões de pessoas. A eliminação gradual de tarifas beneficiará exportações, mas exigirá adaptação de setores industriais. Estudos do IPEA projetam expansão do PIB brasileiro em até 0,46% até 2040.
Demografia: envelhecimento e pressões fiscais
A razão de dependência (população jovem e idosa em relação à ativa) atingiu seu ponto mínimo em 2017 e agora está em ascensão. "Essa mudança pesa sobre o crescimento e intensifica pressões fiscais", destaca o Santander. O envelhecimento exigirá novos ajustes na Previdência e saúde.
Contexto eleitoral e força do Congresso
As eleições de 2026 renovarão a Câmara e parte do Senado, com a cláusula de barreiras elevando gradualmente os requisitos para partidos. Partidos de centro tendem a se fortalecer, enquanto agremiações menores enfrentam desafios. A fragmentação partidária reduzida pode aumentar o poder do Congresso.
São Paulo: desafios do gigantismo urbano
Enquanto isso, São Paulo comemora 472 anos com problemas crônicos de infraestrutura. A metrópole sofre com alagamentos e quedas de energia, reflexo de décadas de crescimento desordenado. A avidez da capital paulista concentrou serviços e finanças, mas trouxe custos ambientais e sociais.
O planejamento de longo prazo, ignorado desde a era Geisel, mostra suas consequências. Comparações com o Rio de Janeiro, que enterrou fios elétricos nos anos 90, destacam soluções possíveis para reduzir vulnerabilidades.