Autonomia financeira do Banco Central pode ter 15 votos na CCJ, afirma relator
Autonomia financeira do BC pode ter 15 votos na CCJ

Autonomia financeira do Banco Central pode ter 15 votos na CCJ, diz relator

O senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da proposta que concede autonomia financeira ao Banco Central, afirmou em entrevista à revista VEJA que o texto pode obter o apoio de 15 dos 27 integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O parlamentar apresentou o relatório final na última quinta-feira e pretende garantir ao menos a leitura do projeto na sessão da próxima quarta-feira, 22 de abril.

"Acho que conseguimos 15 votos, mas a proposta precisa ser pautada pelo presidente da CCJ, o senador Otto Alencar (PSD-BA)", declarou Valério. A medida é vista por técnicos como um avanço significativo, pois amplia a independência do Banco Central no cumprimento de seu mandato, especialmente no controle da inflação e na atuação como autoridade monetária.

Mudanças na estrutura orçamentária

A proposta prevê que o Banco Central deixe de depender de repasses do Tesouro Nacional e passe a contar com receitas próprias, oriundas de seus ativos. Atualmente, esses recursos são transferidos ao Tesouro e depois retornam ao BC, em um mecanismo que o senador compara ao pacto federativo entre União e estados.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"Com a mudança, o BC não precisaria aguardar repasses do Tesouro e poderia gerir seu próprio orçamento", explicou Valério à VEJA. De acordo com o texto encaminhado à CCJ, o Banco Central passaria a ser classificado como entidade pública de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira, integrando o setor público financeiro.

Limitações e fiscalização

No entanto, o orçamento da autarquia ficaria limitado ao valor executado no ano anterior, corrigido pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Caso o BC necessite de um orçamento maior, será preciso solicitar ao Senado uma autorização para ampliação.

"Nessa hipótese, caberá à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovar o novo valor", destacou Valério. O senador afirma ainda que a autonomia financeira permitiria ampliar a capacidade de fiscalização do BC, com novas contratações e mais investimentos, sustentados por receitas próprias.

"Além disso, a proposta protege o BC de pressões políticas indiretas, como contingenciamentos orçamentários discricionários", acrescentou. A instituição manteria poder de polícia sobre o sistema financeiro, incluindo competências de regulação, supervisão e resolução, nos termos da lei.

Apoio do presidente do Banco Central

Valério não é o único a defender a medida. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também se posiciona a favor da autonomia financeira. Em evento no dia 9 de abril, Galípolo afirmou que a autonomia do Banco Central pode ser interpretada, de forma equivocada, como um afastamento da democracia.

Segundo ele, a independência plena da instituição fortalece a proteção do sistema financeiro. "É importante completar a autonomia do BC, inclusive a financeira. Se tomarmos decisões técnicas e não negociarmos certos pontos, não corremos o risco de sofrer punições", disse Galípolo.

O texto, no entanto, ainda depende de inclusão na pauta da CCJ, sem data definida para votação. A proposta representa um passo crucial na consolidação da independência institucional do Banco Central, alinhando-se com práticas internacionais de gestão monetária.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar