CPMI do Master: ausência de bolsonaristas em requerimento gera análise política
Ausência de bolsonaristas em CPMI do Master é estratégia

A ausência das assinaturas de dois parlamentares bolsonaristas no requerimento para abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes envolvendo o Banco Master chamou a atenção no Congresso Nacional nesta terça-feira. Os nomes em questão são do deputado federal Altineu Côrtes e do senador Bruno Bonetti, ambos do Rio de Janeiro e considerados parte do núcleo mais próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estratégia política explica ausência de assinaturas

Contudo, essa recusa em avalizar a criação da comissão não gerou mal-estar interno no Partido Liberal (PL), sendo interpretada como uma movimentação estratégica bem calculada. De acordo com fontes políticas, as justificativas para as ausências estão alinhadas com interesses pessoais e acordos partidários que visam manter posições de poder e influência.

Altineu Côrtes e a perspectiva de vaga no TCU

O deputado Altineu Côrtes, que tem olho em uma possível segunda vaga que deve ser aberta para o Tribunal de Contas da União (TCU) ainda neste ano, optou por não se comprometer com o requerimento. Ele teria justificado aos correligionários que pode necessitar de votos dos colegas parlamentares caso se confirme sua indicação para o Tribunal, evitando assim antagonizar aliados políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que poderiam ser alvo das investigações.

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Bruno Bonetti e o acordo com Romário

Já o senador Bruno Bonetti, que atua como suplente do mandato de Romário desde o ano passado, não assinou o documento devido a um acordo que o mantém no posto, mesmo que de forma temporária. Como o ex-jogador não faz parte do grupo bolsonarista que enfrenta os ministros do Supremo, Bonetti manteve o compromisso de não se afastar de algumas pautas importantes para Romário, evitando o risco de ser retirado do mandato por decisão do titular.

Contexto político e apoio ao requerimento

Bonetti é visto como um voto certo pela derrubada dos vetos do presidente Lula ao Projeto de Lei da Anistia, em sessão do Congresso que deve ocorrer após o Carnaval. Por isso, sua ausência no requerimento foi compreendida pelos pares como parte de uma estratégia maior. O dispositivo para a CPI do Master foi elaborado pelo deputado Carlos Jordy e contou com o apoio expressivo de 238 deputados e 42 senadores, superando amplamente o mínimo necessário nas duas casas legislativas.

Resistência no Congresso e alinhamentos

Nos bastidores, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem evitado sinalizar se dará andamento à iniciativa. Fontes próximas ao parlamentar amapaense acreditam que ele está alinhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que resiste à criação de um colegiado desta natureza. Um dos motivos apontados seria o uso potencial da CPMI para ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal, o que poderia intensificar conflitos políticos.

Em resumo, a ausência das assinaturas de Altineu Côrtes e Bruno Bonetti no requerimento para a CPMI do Banco Master reflete nuances da política brasileira, onde estratégias individuais e acordos partidários moldam as decisões parlamentares, sem necessariamente indicar rupturas internas no PL.

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