Alcolumbre deve priorizar Dosimetria enquanto caso Master aguarda decisão no STF
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve adiar a leitura do requerimento para a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes envolvendo o Banco Master. Essa é a avaliação de lideranças da oposição e do Centrão, tanto na Câmara quanto no Senado, que apostam em uma estratégia de postergação para ganhar tempo.
Objetivo é esperar caso decantar no Supremo Tribunal Federal
O procedimento de leitura, necessário em sessão conjunta do Congresso para que o colegiado saia do papel, não deve ocorrer na próxima sessão, ainda não formalmente agendada por Alcolumbre, mas prevista para após o Carnaval. O objetivo declarado é aguardar que o caso perca força e avance nas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são alvos de parte dos parlamentares.
Na sessão pós-Carnaval, devem ser apreciados vetos do presidente Lula a projetos considerados prioritários pela oposição, incluindo o Projeto de Lei da Dosimetria. O consenso entre analistas políticos é que Alcolumbre evitaria conceder duas vitórias significativas à bancada bolsonarista em uma única sessão, o que justificaria o adiamento da CPI do Master para uma data posterior, ainda indefinida.
Histórico de adiamentos e resistência no Legislativo
Parlamentares relembram que Alcolumbre já adiou uma sessão do Congresso no ano passado, diante da necessidade de ler o requerimento para a CPMI do INSS, que havia alcançado o número mínimo de assinaturas. Na época, o tema era usado por bolsonaristas para criticar o governo Lula, indicando um padrão de cautela do presidente do Senado em momentos politicamente sensíveis.
O requerimento para a CPI do Master, elaborado pelo deputado Carlos Jordy (PL), conta com apoio massivo: 238 deputados e 42 senadores, superando amplamente os requisitos mínimos. Nos bastidores, Alcolumbre tem evitado sinalizar se dará andamento à iniciativa, alinhando-se ao presidente da Câmara, Hugo Motta, que resiste à criação de um colegiado desse tipo.
Ministros do STF no centro das controvérsias
Um dos motivos para a resistência seria o uso potencial da CPMI para ataques a ministros do STF. Dias Toffoli comanda o inquérito sobre as fraudes bilionárias do Banco Master desde o final do ano passado, com decisões que geraram desconforto no meio político e jurídico. Recentemente, revelou-se que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro em um resort no Paraná.
Alexandre de Moraes, por sua vez, é alvo de contestações da oposição devido à sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, ser associada a um contrato de prestação de serviços advocatícios com a instituição financeira. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido de investigação sobre o caso, argumentando falta de indícios de crime.
Essa situação complexa reforça a aposta de que Alcolumbre buscará equilibrar as demandas políticas, priorizando a Dosimetria no curto prazo e deixando a CPI do Master para um momento mais oportuno, conforme o caso evolui no Supremo.



