Fim da escala 6×1: 44% dos eleitores deixariam de votar em parlamentares contrários à proposta
44% dos eleitores deixariam de votar em quem é contra fim da escala 6×1

Fim da escala 6×1: Quase metade dos eleitores deixariam de votar em parlamentares contrários à proposta

Uma pesquisa inédita apresentada por Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, revela um dado impactante sobre o debate do fim da escala 6×1: 44% dos eleitores brasileiros afirmam que teriam menos vontade de votar em um deputado ou senador que se posicionasse contra a proposta. Em outras palavras, quase metade do eleitorado admite que o tema pode influenciar diretamente sua decisão nas urnas, configurando um fator eleitoral de peso.

Impacto eleitoral significativo

O levantamento, que ouviu mais de 2 mil entrevistados, detalha que 19% dos participantes declararam que "aumentariam as chances de não votar" em parlamentares contrários ao fim da escala 6×1. Para 28% dos entrevistados, a posição do congressista sobre esse tema não faz nenhuma diferença, enquanto o restante demonstra alguma variação na intenção de voto.

Para Marcelo Tokarski, o número de eleitores que levará em conta o comportamento dos congressistas nesta matéria é expressivo. "A gente sabe que a própria estratégia do governo de colocar esse item na pauta do Congresso no ano de eleição provavelmente é uma análise que tem a ver com aprovação nas urnas", explicou o CEO da Nexus, destacando o cálculo político por trás da iniciativa.

Apoio popular robusto, mas com limites claros

A pesquisa mostra um apoio massivo da população ao fim da atual escala de trabalho: 73% dos entrevistados são favoráveis à mudança, o que representa praticamente três de cada quatro pessoas. No entanto, Tokarski faz uma ressalva central: "As pessoas aprovam, desde que a redução da jornada não mexa no salário delas".

Quando se menciona a possibilidade de corte de remuneração, o apoio despenca para apenas 28% — o chamado "apoio incondicional". Essa reação reflete a realidade econômica das famílias brasileiras. "O brasileiro médio tem uma renda apertada, boa parte da população está endividada... e qualquer redução de salário é quase impensável", analisou Tokarski.

Consenso sobre descanso, mas informação limitada

Outro dado relevante da pesquisa aponta que 84% dos entrevistados concordam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias por semana, indicando que a ideia de descansar mais agrada a grande maioria — desde que o contracheque continue intacto.

Apesar da força da opinião formada, o nível de informação sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Congresso ainda é baixo:

  • Apenas 12% dizem estar razoavelmente bem informados sobre a proposta
  • Cerca de metade já ouviu falar, mas conhece pouco
  • Quase 40% admitem não saber nada sobre o tema

"Esse é um tema que, apesar de estar muito na mídia, o brasileiro ainda não está muito bem informado sobre o que ele vai implicar", disse o CEO da Nexus, apontando barreiras socioeconômicas e de escolaridade como obstáculos ao entendimento mais aprofundado.

Pressão política e desafios legislativos

A estratégia de pautar o tema em ano eleitoral não parece casual. Segundo Tokarski, "é impopular você ser contra o fim da jornada", o que aumenta significativamente a pressão sobre os parlamentares. Ainda assim, ele lembra que se trata de uma PEC, que exige apoio de dois terços do Congresso — uma conta política complexa que vai muito além da popularidade medida nas pesquisas.

No fim das contas, o retrato traçado pela pesquisa da Nexus é claro: há forte apelo social, impacto eleitoral evidente e, também, um limite bem definido pelo bolso do trabalhador. O levantamento não apenas mede opinião — ele antecipa o tamanho do desafio para quem precisa decidir entre o discurso político, o voto do eleitor e a realidade fiscal do país.