Pesquisa Quaest revela que 43% dos brasileiros veem piora na economia no último ano
43% dos brasileiros veem piora na economia, mostra pesquisa Quaest

Pesquisa Quaest revela percepção negativa sobre economia brasileira

A consultoria Quaest divulgou nesta quarta-feira (11) uma nova pesquisa que mostra uma percepção predominantemente negativa dos brasileiros sobre a situação econômica do país nos últimos doze meses. Segundo o levantamento, quase metade da população avalia que a economia piorou no período, enquanto apenas um quarto dos entrevistados percebe melhorias.

Dados contrastam com indicadores oficiais positivos

Os resultados da pesquisa são particularmente significativos porque contrastam com diversos indicadores econômicos positivos divulgados recentemente. O Brasil registrou a menor taxa de desemprego da série histórica do IBGE, o rendimento médio atingiu níveis recordes e a inflação apresentou maior controle. No entanto, esses fatores não foram suficientes para melhorar a percepção geral da população sobre a situação econômica.

Para economistas ouvidos pela pesquisa, o aumento da taxa de juros tem sido determinante para essa desconexão entre indicadores e percepção. "O sujeito até está ganhando mais, o salário está indo bem, só que, dado o nível de endividamento das famílias, o dinheiro não rende", explica o economista André Perfeito.

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Detalhes da pesquisa sobre percepção econômica

A Quaest perguntou especificamente sobre a percepção dos entrevistados em relação à economia nos últimos doze meses. Os resultados foram:

  • Piorou: 43% dos entrevistados (mesmo percentual registrado em janeiro)
  • Melhorou: 24% (também mantendo o mesmo índice de janeiro)
  • Ficou do mesmo jeito: 30% (um ponto percentual acima dos 29% de janeiro)
  • Não souberam/Não responderam: 3% (uma redução em relação aos 4% do mês anterior)

Expectativas para os próximos meses

Quando questionados sobre suas expectativas para os próximos doze meses, os entrevistados mostraram um cenário um pouco mais otimista, embora com algumas mudanças em relação à pesquisa anterior:

  • Melhorar: 43% (queda de cinco pontos percentuais em relação aos 48% de janeiro)
  • Piorar: 29% (aumento de um ponto percentual em relação aos 28% anteriores)
  • Ficar do mesmo jeito: 24% (aumento de três pontos percentuais)
  • Não sabem/não responderam: 4% (aumento de um ponto percentual)

Impacto dos juros altos na percepção econômica

A economista Zeina Latif destaca que os efeitos dos juros elevados ainda se manifestam na economia, com perda de ritmo em dados relacionados ao consumo das famílias. "Não tem alívios. A classe média sente condições que não são ruins, mas também não há coisas positivas em curso. Mesmo no mercado de trabalho, é nítida a mudança de tendência na geração de vagas", afirma.

Latif também ressalta o efeito desigual da inflação, especialmente dos alimentos: "Quando vai bem, a confiança não melhora tanto. Em compensação, quando a inflação sobe, a confiança ou a aprovação no governo cai mais".

Percepção sobre preços e poder de compra

A pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre os preços dos alimentos e seu poder de compra. Para 56% dos entrevistados, os valores nos supermercados e feiras estão mais altos, enquanto apenas 18% avaliam que estão mais baixos e 24% consideram que os preços permaneceram iguais.

Em relação ao poder de compra comparado a um ano atrás, os resultados foram:

  • Estão comprando mais: 15% (queda de três pontos percentuais em relação a janeiro)
  • Estão comprando menos: 61% (mantendo o mesmo percentual do mês anterior)
  • Estão comprando a mesma quantidade: 23% (aumento de cinco pontos percentuais)
  • Não sabem/Não responderam: 1% (redução de um ponto percentual)

Dificuldades no mercado de trabalho

Quando questionados sobre as condições para conseguir emprego nos últimos doze meses, quase metade dos entrevistados (49%) avaliou que está mais difícil, enquanto 39% consideram que está mais fácil e apenas 5% afirmam que as condições permaneceram iguais.

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Este dado é especialmente relevante considerando que a taxa média anual de desemprego no Brasil atingiu 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012. O índice recuou um ponto percentual em relação a 2024 e apresentou queda ainda mais expressiva na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Os resultados mostram uma complexa relação entre indicadores econômicos objetivos e a percepção subjetiva da população, com fatores como endividamento familiar, custo dos alimentos e expectativas futuras desempenhando papel crucial na formação da opinião pública sobre a situação econômica do país.