A Polícia Militar realizou uma operação na madrugada deste domingo (10) para desocupar a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. Por volta das 4h15, os agentes utilizaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para retirar os estudantes que ocupavam o local desde quinta-feira (7).
Ação policial surpresa
De acordo com relatos de alunos, a ação foi surpresa e sem aviso prévio. Vídeos gravados pelos estudantes mostram policiais agredindo o grupo com cassetetes. A assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que diversos estudantes ficaram feridos e que quatro alunos foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana.
Em comunicado, o DCE-USP afirmou que os PMs formaram "um corredor polonês para espancamento" e que a ação ocorre "de forma abusiva eivada de ilegalidade, vez que ocorre sem qualquer determinação judicial que pudesse embasar a ação policial". O DCE destacou ainda que, mesmo em casos de reintegração de posse, há regras que proíbem operações entre 21h e 5h.
Contexto da ocupação
A ocupação da reitoria começou na tarde de quinta-feira (7), durante um protesto ligado à greve das universidades estaduais paulistas. Cerca de 400 estudantes participaram da manifestação, que cobrava a retomada das negociações com o reitor Aluísio Segurado. Os alunos exigem melhoria nas políticas de permanência estudantil, como aumento de bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
Os estudantes passaram as noites em barracas do lado de fora do prédio e também dormiram em colchões do lado de dentro. A universidade cortou a energia e a água da reitoria na manhã de sexta-feira (8), conforme confirmado pelo g1. Durante o período de ocupação, ao menos três policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) ficaram com escudos em um dos acessos, e duas viaturas da PM faziam ronda nas proximidades.
Problemas nas moradias estudantis
A greve reúne estudantes da USP, Unicamp e Unesp. Na USP, alunos do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) relatam problemas estruturais graves. A equipe da TV Globo registrou luminárias queimadas, pisos e janelas quebrados, mofo, infiltrações e vazamento de gás em uma cozinha coletiva. No dia 15 de abril, um ninho de pombo foi encontrado na cozinha do Crusp.
Henrique Pupio, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo e estudante da Faculdade de Direito, afirmou que a reitoria não estaria disposta a ceder à pressão. "Acreditamos que essa intransigência tem levado a um maior tensionamento, que só poderá ser resolvido com a reabertura do diálogo com os estudantes", disse.
Greve nas universidades
Na Unesp, estudantes do Instituto de Artes, na Barra Funda, aderiram à paralisação, pedindo ampliação de serviços básicos no período noturno. A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra à noite, em 7 de abril, quando os profissionais de saúde já haviam deixado o campus.
Posicionamento das universidades
A reitoria da USP lamentou a invasão e os danos ao patrimônio público, e informou que acionou forças de segurança para evitar a ocupação de outros espaços. A Unesp afirmou que não foi procurada oficialmente, mas que as reivindicações serão discutidas na próxima segunda-feira em reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. Já a Unicamp disse que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e prioriza políticas de permanência estudantil.



