SC Que Dá Certo 2026: Empreendedores compartilham lições de coragem e parceria em Florianópolis
SC Que Dá Certo 2026: Empreendedores inspiram em Florianópolis

SC Que Dá Certo 2026 inicia com histórias inspiradoras de empreendedores em Florianópolis

O primeiro painel do SC Que Dá Certo 2026 foi realizado na última terça-feira (14), no auditório da Faculdade Senac, em Florianópolis, reunindo aproximadamente 300 pessoas que acompanharam atentamente as experiências compartilhadas por empreendedores de diferentes áreas. O evento, promovido pela NSC, teve como tema central "Coragem, conhecimento e cuidado", três palavras que resumiram o tom da noite e fecharam as apresentações com uma mensagem poderosa: ninguém constrói um negócio sozinho, e começar, mesmo sem ter tudo planejado, é essencial para o sucesso.

Cultura, identidade e coragem para manter o propósito

À frente do Boteco Zé Mané, Angela Monguilhott trouxe uma fala marcante ao falar sobre identidade e cultura local. Mais do que abrir um negócio, ela ajudou a construir um espaço que resgata tradições e transforma experiências em conexões genuínas. Desde o início, o projeto foi pensado com pilares claros: gastronomia, bebida, ambiente e cultura. A escolha de um casarão histórico, as referências visuais à cidade e a valorização da música brasileira foram decisões intencionais, mas também desafiadoras.

Manter essa identidade, segundo Angela, foi uma das decisões mais arriscadas. "Teve momento em que disseram que, se a gente não mudasse, não ia dar certo. Mas a gente decidiu seguir fiel à nossa proposta. E isso fez toda a diferença", contou. A aposta em artistas locais nunca foi apenas uma estratégia comercial, mas uma convicção profunda. Hoje, diversos nomes que começaram no palco do boteco ganharam projeção nacional, reforçando o papel do espaço como um verdadeiro impulsionador cultural.

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Ao falar com quem deseja empreender, Angela foi direta e enfática. "Muita gente acha que empreender é fazer tudo sozinho, mas não é. Eu mesma não sou da área da cozinha, por exemplo. A gente construiu o negócio junto com outras pessoas, somando forças. Buscar ajuda, conversar com quem já passou por isso, aprender com erros dos outros, isso encurta muito o caminho e evita dores desnecessárias".

Crescer dá medo, mas faz parte do processo evolutivo

No setor industrial, Fabio Queiroz, diretor-executivo da Hoffen Soluções Industriais, trouxe uma visão prática sobre expansão e tomada de decisão. À frente de um grupo que atua em diferentes frentes, ele destacou que crescer também envolve enfrentar inseguranças e medos. "Toda vez que a gente decide crescer, entrar em um novo segmento ou abrir uma nova frente, dá medo. Dá aquele frio na barriga mesmo. Mas a gente entendeu, ao longo do tempo, que esse medo faz parte do processo. Se não tiver esse desconforto, talvez a gente nem esteja evoluindo de verdade", afirmou.

A virada de chave, segundo ele, aconteceu quando a empresa deixou de tentar saber tudo sozinha e passou a buscar parcerias estratégicas. "O maior erro é achar que sabe tudo. Quando a gente começou a buscar quem sabia mais, a empresa evoluiu. Pedir ajuda muda o jogo completamente". Outro ponto destacado foi a importância de estrutura e processos para crescer com qualidade. A busca por certificações e organização interna foi essencial para sustentar a expansão de forma sólida e duradoura.

Inovar é criar um mercado e educar o cliente constantemente

Na área da tecnologia em saúde, Mirian Thizon, CEO da MedEOR Medtech, trouxe uma perspectiva diferente e desafiadora. No caso dela, empreender não foi apenas entrar em um mercado existente, mas sim criar um novo mercado. A empresa nasceu do inconformismo com a falta de tecnologia na prática clínica e da vontade de transformar processos ainda muito analógicos.

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"A gente não entra em um mercado pronto. A gente precisa criar cultura, mostrar valor, ensinar. Esse é um dos maiores desafios", explicou Mirian. Empreender com inovação, segundo ela, exige investimento, paciência e resiliência, especialmente quando se trata de desenvolvimento tecnológico no Brasil. "Empreender com inovação, principalmente no Brasil, é desafiador porque exige investimento, paciência e muita resiliência. Não é só vender um produto, é fazer com que as pessoas entendam a necessidade dele. Mas, quando isso acontece, o retorno vem em forma de transformação real na prática profissional".

Mesmo com presença em todo o país e clientes em diferentes continentes, ela destaca que o processo de crescimento ainda exige adaptação constante, principalmente em relação a recursos financeiros e regulamentações específicas do setor.

Mais do que histórias, um ponto de partida para novos empreendedores

Durante a abertura do evento, dados apresentados mostraram que Santa Catarina segue em forte crescimento econômico. Apenas no primeiro trimestre de 2026, mais de 97 mil empresas foram abertas no estado, sendo 93% micro e pequenas empresas. Esse número ajuda a explicar o que foi visto no auditório: um público atento, participativo e, principalmente, disposto a dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo.

No fim, entre histórias tão diversas e inspiradoras, a mensagem foi simples mas extremamente direta. Empreender exige coragem para começar, conhecimento para evoluir e cuidado para sustentar o crescimento ao longo do tempo. E, acima de tudo, exige entender profundamente que ninguém faz isso sozinho, destacando a importância das parcerias, da colaboração e do aprendizado coletivo.

Os próximos painéis do SC Que Dá Certo 2026 estão programados para as seguintes cidades catarinenses:

  • 30 de abril - Criciúma (inscrições abertas)
  • 12 de maio - Caçador
  • 26 de maio - Concórdia
  • 9 de junho - Blumenau
  • 23 de junho - Joinville