A convocação de Neymar para a Copa do Mundo reacendeu um debate que vai além do futebol: vale a pena contratar um profissional talentoso, mas que acumula polêmicas e divide atenções? Especialistas em recursos humanos ouvidos pelo g1 analisam o dilema corporativo.
O 'Neymar corporativo'
Assim como o jogador, alguns profissionais são extremamente talentosos, reconhecidos no mercado e capazes de resolver problemas. No entanto, também geram desgaste, acumulam controvérsias e nem sempre entregam resultados consistentes. A pergunta que muitas empresas se fazem é: até que ponto o talento compensa os custos invisíveis?
Mudança no mercado de trabalho
Segundo Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, o mercado passou a valorizar mais a capacidade de entrega sustentável e o comportamento em equipe do que apenas o talento individual. "O talento abre portas, mas o que sustenta uma carreira é a entrega consistente", afirma. Profissionais brilhantes podem gerar custos elevados no clima organizacional, na motivação da equipe e até na perda de talentos consistentes.
Quando a marca pessoal compete com o trabalho
Outro ponto é o acúmulo de atividades paralelas, como presença digital e projetos pessoais. Paulo Saliby, sócio-fundador da SG Comp Partners, alerta que a exposição excessiva pode transmitir falta de foco e conflito de prioridades. "Quando uma pessoa ocupa uma posição de alta visibilidade, sua imagem pode se confundir com a da empresa", diz.
Talento versus arrogância
Para Paulo, a tolerância com comportamentos difíceis tem limite. "O talento pode compensar algumas limitações, mas até certo ponto." Em cargos de liderança, o rigor é maior, pois o potencial de dano causado por comportamentos tóxicos é amplificado.
O novo conceito de 'brilhante'
As empresas buscam profissionais que combinem desempenho, inteligência emocional, colaboração e consistência. "Talento continua sendo um diferencial, mas consistência, humildade e capacidade de trabalhar em equipe constroem carreiras duradouras", resume Rodrigo. A remuneração variável atrelada ao desempenho é cada vez mais comum para reduzir o risco de pagar apenas pelo nome.
A decisão de contratar um 'Neymar corporativo' é uma aposta de alto risco e alto retorno. Cabe às empresas avaliar se o contexto atual permite recuperar a alta performance ou se os custos superam os benefícios.



