O bancário Thiago Arruda Campos Rosas, acusado de atropelar e matar o cantor de pagode Adalto Mello enquanto dirigia embriagado em São Vicente, no litoral de São Paulo, será submetido a júri popular. A decisão judicial, divulgada nesta terça-feira (19), permite que ele aguarde o julgamento em liberdade.
Decisão judicial
Thiago está em liberdade desde maio de 2025, após o Supremo Tribunal Federal (STF) substituir a prisão preventiva por medidas cautelares. Ele havia sido preso em dezembro de 2024, quando atropelou o cantor que pilotava uma motocicleta. O juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, considerou que há indícios suficientes de autoria e materialidade para que o bancário seja levado ao Tribunal do Júri por homicídio qualificado. A data do julgamento ainda não foi marcada.
Na sentença, o magistrado destacou que Thiago, conscientemente, ingeriu bebidas alcoólicas e, posteriormente, decidiu dirigir voluntariamente. Ele conduziu o veículo durante a noite, período com condições de visibilidade reduzidas. Além disso, o juiz apontou que o bancário escolheu caminhos potencialmente mais perigosos e imprimiu velocidade incompatível com o local, perdendo o controle do veículo e causando a morte do cantor.
O acidente
Imagens de câmeras de monitoramento, que circularam nas redes sociais na época, mostram o momento do acidente sob diferentes ângulos. O motorista do carro ultrapassou outro automóvel e atingiu Adalto, que foi arremessado. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que policiais militares foram acionados e encontraram um carro batido contra uma árvore e uma motocicleta caída. O Corpo de Bombeiros auxiliou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que realizou manobras de ressuscitação, mas a morte de Adalto foi constatada no local.
Embriaguez comprovada
Thiago apresentava 20,5 vezes mais álcool no organismo do que o permitido por lei. O teste do bafômetro registrou 0,82 mg/l, valor 2050% acima do limite de 0,04 mg/l. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), acima de 0,04 mg/l o condutor está sujeito a multa e suspensão da CNH por 12 meses. Acima de 0,34 mg/l, como no caso de Thiago, a penalidade é criminal, com pena de seis meses a três anos de prisão, além de multa e suspensão ou cassação da CNH.
Laudo pericial
Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) aponta que o bancário dirigia em velocidade incompatível com a permitida. O documento foi elaborado com base em elementos do local, como a presença de lombada, orientação dos danos veiculares e distâncias entre os vestígios. O IC considerou a hipótese de velocidade incompatível, embora não tenha sido possível determinar a velocidade exata. O limite máximo da via era de 50 km/h.
Quem era Adalto Mello
Adalto Mello, de 39 anos, era cantor de pagode, compositor e formado em Educação Física. Divorciado, morava com a mãe em Santos (SP) e deixou um filho menor de idade. A mãe, Carla Vanessa De Mello Almeida, contou que ele se apaixonou pela música na infância, aprendendo a tocar cavaco com o pai. Com menos de 15 anos, entrou no coral de uma igreja e começou a cantar e compor. Depois, se apresentava em comércios e eventos com um grupo de pagode. O sonho dele era viver da música, não por dinheiro ou sucesso, mas pelo amor à arte.



