Movimentos sociais cobram reabertura de restaurante popular em Belém, fechado há um ano
Restaurante popular em Belém fechado há um ano gera protestos

Movimentos sociais realizam ato por reabertura de restaurante popular em Belém

Nesta segunda-feira (2), movimentos sociais organizaram um protesto em frente ao Restaurante Popular de Belém, que está fechado há exatamente um ano. O ato teve como objetivo cobrar da prefeitura a reabertura imediata do equipamento público, que era fundamental para garantir alimentação acessível a populações vulneráveis na capital paraense.

Impacto social do fechamento do restaurante

De acordo com os organizadores do protesto, o restaurante atendia principalmente idosos, pessoas em situação de rua e famílias em vulnerabilidade social, servindo aproximadamente 1.400 refeições diárias de segunda a sábado. Durante o ato, os manifestantes distribuíram sopão para pessoas em situação de rua como forma de denunciar a ausência dessa política pública essencial.

O Restaurante Popular integra a política municipal de segurança alimentar e nutricional e estava previsto no Plano Plurianual (PPA) 2022-2025 do Município de Belém. Apesar disso, seu funcionamento foi interrompido em 31 de janeiro de 2025, sem que a prefeitura implementasse qualquer alternativa emergencial para atender a população beneficiária.

Defensoria Pública entra em cena com ações judiciais

Em setembro de 2025, a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA) protocolou uma Nota Técnica Institucional no Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) pedindo a reabertura imediata da unidade. O documento apontou que há dotação orçamentária específica na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, no valor de R$ 2,3 milhões, destinada exclusivamente ao funcionamento do restaurante.

A Defensoria também ajuizou uma ação civil pública, na qual a Justiça determinou que o município de Belém adotasse medidas para a reativação do serviço em um prazo de 90 dias. Segundo a DPE, a interrupção do funcionamento do restaurante produz impactos imediatos sobre direitos fundamentais, com reflexos diretos na saúde pública, na dignidade da pessoa humana e na proteção integral de crianças, adolescentes e pessoas idosas.

Cronologia do impasse entre Defensoria e prefeitura

  1. 31 de janeiro de 2025: A Prefeitura de Belém fecha o Restaurante Popular após não renovar o contrato com a empresa responsável.
  2. Março de 2025: A Defensoria Pública solicita formalmente a reabertura do equipamento.
  3. Julho de 2025: A Defensoria ingressa com Ação Civil Pública pedindo esclarecimentos sobre o fechamento e a reabertura imediata.
  4. Setembro de 2025: A Justiça acata pedido da Defensoria e estabelece prazo de 90 dias para o funcionamento do restaurante e a garantia da segurança do prédio.
  5. Novembro de 2025: A Prefeitura de Belém contesta a decisão e solicita suspensão da liminar, alegando necessidade de obras no espaço.
  6. Dezembro de 2025: A Defensoria afirma que o prédio permanece fechado e sem obras, destacando o término do prazo judicial em 4 de dezembro.
  7. Dezembro de 2025: A prefeitura argumenta que o prazo não deve ser contado em dias corridos e que o término ocorreria apenas em março de 2026.
  8. 20 de janeiro de 2026: A Defensoria Pública solicita o bloqueio do valor do contrato, estimado em R$ 1,9 milhão, para garantir a reabertura.

Posicionamento da Prefeitura de Belém

Por meio de nota, a Prefeitura de Belém informou que o prazo para realizar a reabertura do restaurante popular encontra-se em curso, considerando apenas dias úteis, "que encerra-se no dia 3 de março deste ano". A administração municipal lamentou "a postura conflituosa da Defensoria Pública de insistir em medidas mais danosas ao interesse público", argumentando que a questão demanda atividades complexas como licitação, contratação, identificação de espaço e contratação de empresas.

A prefeitura afirmou ainda que respeitará os prazos fixados e que já vem trabalhando na solução para o problema, embora não tenha apresentado um cronograma detalhado das ações necessárias para a reabertura.

Enquanto isso, a população em situação de vulnerabilidade segue sem acesso a alimentação acessível e digna, aguardando uma solução definitiva para esse impasse que já dura um ano completo.