Maranhão ocupa sexta posição em assassinatos de pessoas trans no Brasil, segundo levantamento nacional
Um levantamento divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2025, revelou dados alarmantes sobre a violência contra pessoas trans no Brasil. O estudo apontou que o Maranhão ocupa a sexta posição entre os estados brasileiros com maior número de assassinatos de pessoas trans, registrando cinco mortes ao longo do ano de 2025.
Contexto nacional e casos específicos no estado
Em todo o país, o levantamento contabilizou aproximadamente 80 homicídios de pessoas trans no mesmo período, destacando a gravidade do problema em escala nacional. No Maranhão, dois dos casos registrados envolvem pessoas trans indígenas, evidenciando uma interseccionalidade de vulnerabilidades.
Em abril de 2025, o corpo de Shakira foi encontrado às margens do rio Grajaú, sendo investigado inicialmente como morte suspeita. Já no dia 29 de setembro do mesmo ano, o corpo de Rubi foi localizado em uma estrada vicinal próxima à aldeia Capim Queimado, a cerca de 10 quilômetros do centro do município de Arame. Neste último caso, dois homens foram presos sob suspeita de envolvimento no crime.
Andamento das investigações e posicionamento policial
De acordo com a Polícia Civil do Maranhão (PCMA), o inquérito sobre a morte de Shakira foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário, sem indícios de morte violenta identificados até o momento. A corporação informou ainda que o caso de Rubi está sob investigação da Polícia Federal (PF), indicando a complexidade e a necessidade de recursos federais para apurar o ocorrido.
Discriminação estrutural e relatos de especialistas
Segundo Raíssa Mendonça, diretora da Casa Florescer, instituição que acolhe pessoas trans no Maranhão, a discriminação contra corpos trans ainda está profundamente enraizada em diversos setores da sociedade maranhense. “Os corpos trans ainda são vistos com muita discriminação em todos os setores. Se você chega em uma loja, você não encontra uma pessoa trans atendendo. Se você chega em um supermercado, pouquíssimos, principalmente no nosso estado do Maranhão.” explicou Raíssa, destacando a falta de inclusão e oportunidades que agravam a vulnerabilidade dessa população.
Este cenário de violência e exclusão reforça a urgência de políticas públicas e ações sociais voltadas para a proteção e promoção dos direitos das pessoas trans, não apenas no Maranhão, mas em todo o Brasil, onde os números continuam a crescer de forma preocupante.